JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO
Ex-Funcionário do Banco do Brasil. Ex-Professor de Matemática e do Curso Pitágoras. Escritor. Funcionário aposentado da Justiça do Trabalho, BA.
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Considero-me um ser privilegiado por ter sido testemunha de uma data memorável do Estádio Mário Filho (Maracanã).
Estava presente no jogo Brasil e Paraguai, em 1969 (eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970), considerado o maior público de sua história numa partida de futebol, já que o show de Paul McCartney superou esse marco. Resultado da inesquecível partida?! Brasil 1 x 0, gol de Pelé.
“Pois é, meus amigos” (como diria Nélson Rodrigues), morram de inveja! Zé Carlos teve a suprema felicidade de assistir, ao vivo (e a cores), às jogadas maravilhosas do maior astro do futebol mundial de todos os tempos.
E não foi só esse jogo, não! Acreditem, se quiserem: também tive o privilégio de assistir a Mané Garrincha, em vários jogos, fazer seus dribles desconcertantes e infernais e suas arrancadas fenomenais (passava pelos adversários como raio).
Garrincha (Manoel Francisco dos Santos) enlouqueceu Joões (era assim que os chamava, carinhosamente) e levou ao delírio multidão de torcedores.
Em momentos inesquecíveis e antológicos de minha vida fiz parte dessa multidão, sentindo o prazer único de estar ao lado dos meus ídolos, vendo-os jogar no auge de suas carreiras, na explosão do preparo físico e da técnica pessoal.
Sou um apaixonado por futebol e fui freqüentador assíduo dos Estádios do Maracanã, Morumbi e Pacaembu, pois já morei no Rio e em São Paulo.
Se você gosta de futebol e tem curiosidade de saber quem foi o nosso herói chapliniano, nos mínimos detalhes — alegres e cruéis —, leia, então, o livro de Ruy Castro: ESTRELA SOLITÁRIA, UM BRASILEIRO CHAMADO GARRINCHA.
É uma história apaixonante sobre um dos maiores craques do futebol brasileiro de todos os tempos, que teve um final de carreira, e de vida, melancólico, infeliz, humilhante e paupérrimo. Como sou muito sentimental e tenho a sensibilidade à flor da pele, confesso-lhe, leitor, sem constrangimento: nos capítulos finais do livro as lágrimas correram em profusão dos meus olhos.