JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO
Ex-Funcionário do Banco do Brasil. Ex-Professor de Matemática e do Curso Pitágoras. Escritor. Funcionário aposentado da Justiça do Trabalho, BA.
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Pesquisadas em centenas de obras literárias e de SITES da Língua Portuguesa da Rede Mundial de Computadores-Internet, muitas delas condensadas ou ampliadas, revisadas gramaticalmente, atualizadas e organizadas por JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO.
Muitas vezes se tira nota baixa em REDAÇÃO simplesmente porque se comete uma série de erros gramaticais bobos, tolos, inadmissíveis.
A principal finalidade do MANUAL... será contribuir de forma decisiva para que erros dessa natureza não mais sejam repetidos.
É uma obra que se destina a estudantes que estejam fazendo o último ano do curso pré-escolar, cursando os ensinos fundamental e médio, até aqueles que estão se preparando para concurso ou vestibular.
Servirá, portanto, para qualquer membro da família, inclusive para quem já concluiu o curso universitário e queira aprimorar-se na arte de escrever.
“A propósito de sua obra, no momento em que se destina a estudantes (pré-vestibulandos ou concursistas), é ótima. Parabenizo-o pela iniciativa e pelo interesse em construir algo de útil em prol do ensino da redação.”
O comentário acima, sobre o MANUAL DE TÉCNICAS DE REDAÇÃO, foi feito pela professora Maria Afonsina Ferreira, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia—UESB, lotada no Departamento de Estudos Lingüísticos e Literários da Faculdade de Formação de Professores de Jequié, BA.
1ª.
A (minúsculo).
Faça-o um
pouco achatado, com os contornos fechados (e não abertos), sem qualquer traço
no meio dele.
2ª.
ABAIXO-ASSINADO.
É um documento
assinado por várias pessoas, que contém pedido, reivindicação ou manifestação
de protesto.
3ª.
ABREVIAÇÕES.
Escreva as
palavras por extenso. As abreviações são consideradas incorretas. Portanto, não
use abreviações quando no corpo do texto de sua redação.
|
ERRADO |
CERTO |
|
P/, c/, tá, pra, qdo |
Para, com, está, para,
quando |
|
Prof.,
edif., pop |
Professor, edifício,
população |
|
Fone, cine |
Telefone, cinema |
4ª.
ABSURDO.
Use o raciocínio
absurdo, a percepção exagerada dos fatos, para sugerir a visão alterada da
personagem.
Embriagado,
achou que a mulher estava conversando com o amante e atirou no seu próprio
cunhado.
Achava que
o cãozinho estava silencioso apenas para ludibriá-lo, que preparava um ataque
feroz; talvez até saltasse no seu pescoço em um momento de distração.
5ª.
AÇÃO.
Quando quiser, em narrações, fazer
sentir a atenção dada pela personagem às próprias ações, mostre os pormenores
da cena.
Colocou cuidadosamente o cristal
sobre a mesa, pegando a taça com a ponta dos dedos, pressionando-a levemente,
mas com firmeza. Aproximava-a da mesa muito lentamente, quase sem fazer barulho
algum ao tocá-la.
Se desejar mostrar ações sucessivas
da personagem, efetuadas sem pressa e valorizadas uma a uma, separe-as em
períodos diferentes.
Entrou na sala. Caminhou lentamente
em direção ao cofre. Observou se o sistema de segurança estava desativado.
Tirou o quadro da parede. Passou a girar lentamente o segredo do cofre,
escutando atentamente quando daria o estalo que lhe permitiria abri-lo com
segurança.
Para construir na narrativa a idéia de rapidez, use
períodos curtos. Se buscar transmitir a sensação de um longo tempo
transcorrido, use frases extensas.
Correu até o
outro lado da rua. Girou a chave na fechadura. Entrou no prédio. Acenou para o
porteiro. Entrou no elevador.
Estacionou o carro
na frente do prédio, observando se a esposa já havia descido. Abriu a caixa de
discos, escolhendo o que faria a mulher lembrar dos tempos de namoro. Reclinou
o banco do automóvel, baixando o volume do rádio; pensou que a mulher estava
atrasada; devia estar escolhendo seu melhor vestido ou talvez terminando de
fazer a maquiagem com o cuidado que a ocasião merecia.
6ª.
ACENTOS.
Coloque-os com clareza e corretamente, e não simples traços displicentes
(em pé ou deitados). O acento grave, levemente voltado para a esquerda; o
agudo, levemente inclinado para a direita.
Tanto o acento
grave, quanto o agudo e o circunflexo, devem ser colocados bem próximos das
respectivas letras e bem centralizados (e não distantes e de lado).
O acento não pode
ser um risquinho qualquer, torto, deformado, ilegível. Tem que ser
escrito de maneira correta, clara e precisa.
Faça-os de tamanho normal, nem demasiado grandes, nem demasiado pequenos.
7ª.
ACENTUAÇÃO.
Verifique
sempre a acentuação dos vocábulos.
Procure conhecer
as regras de acentuação sem, contudo, decorá-las como papagaio.
Uma técnica de
aprendizagem infalível: Estude o assunto, por exemplo, em mais de dois
autores, fazendo, depois, os respectivos exercícios. Proceda da mesma forma com
os demais assuntos de gramática, que jamais precisará tomar curso de Português
desse capítulo.
8ª.
ALFABETO.
Procure não
inovar, por sua conta, o alfabeto da língua portuguesa, a ponto de tornar sua
letra praticamente irreconhecível.
9ª.
ALITERAÇÃO.
É a repetição de
fonemas-consoantes, que resulta num resultado sonoro específico.
Velho vento
vagabundo...
Chove chuva
choverando.
Boi bem bravo,
bate baixo, bota baba, boi berrando.
10ª.
AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA.
Evite frases ambíguas
(confusas) ou de duplo sentido. Ocorrem em conseqüência da má pontuação ou da
má colocação das palavras.
A ambigüidade
deve ser evitada com a utilização de termos que expressem clara e objetivamente
o que se pretende mostrar.
|
FRASES AMBÍGUAS |
CORRIJA AS EXPRESSÕES GRIFADAS PARA |
OU |
|
Alice saiu com sua irmã. |
a irmã dela |
a irmã de uma amiga |
|
Vi José beijando sua
namorada. |
a namorada dele |
a namorada de um amigo |
|
Um ladrão foi preso em
sua casa. |
na casa dele |
na casa da vítima |
|
João ficou com Mariana em
sua casa. |
na casa dela |
na casa dele |
|
Pintaram o quarto da casa em
que durmo. |
no qual durmo |
na qual durmo |
11ª.
ANULADA.
A redação poderá
ser anulada, ou receber nota zero, se:
Estiver ilegível.
Fugir do assunto.
For escrita a
lápis.
For escrita com
rasuras e sem título.
For apresentada
sob a forma de verso.
Não obedecer ao
espaço e ao número de parágrafos determinados.
Não seguir as
instruções relativas ao tema escolhido.
Tiver menos ou
mais linhas do que a quantidade preestabelecida.
Contiver cópias
das idéias do texto de motivação, quando este for dado.
Contiver elemento
que identifique o candidato (como letra de forma ou de imprensa, por exemplo).
12ª.
APOSTO.
Use o aposto —
explicação sobre um termo ou expressão da frase — quando, ao mesmo tempo que
caracterizar, você pretender explicar a própria atitude da personagem.
Mariana,
enfurecida, arremessou o valioso colar no rio.
A Universidade
pública deve ser defendida por todos, ricos ou pobres.
O estudo do
Romeno, língua neolatina como o Português, pode ser bastante facilitado com o
uso de uma gramática comparativa.
13ª.
ARGUMENTAR.
Não comece a
redação com períodos longos. Exponha logo suas idéias.
Não fundamente
seus argumentos com fatos que não sejam de domínio público.
Os argumentos do
desenvolvimento da redação devem surpreender o leitor. Suas idéias precisam ser
saborosas para atrair sua atenção.
Dê sua opinião,
argumentando. Não use expressões como eu acho, eu penso, para
mim ou quem sabe, pois denotam imprecisão em suas ponderações. É
preciso mostrar conhecimento e domínio sobre o tema que está escrevendo.
14ª.
ARTIGO, PREPOSIÇÃO: A, À, PARA, PARA A.
A (artigo): Fui a
Salvador (fui e voltei logo).
PARA
(preposição). Fui para Salvador (fui e vou passar alguns dias ou morar lá).
À (craseado): Fui
à fazenda (fui e voltei logo).
PARA A
(preposição + artigo): Fui para a fazenda (fui e vou passar alguns dias ou
morar lá).
15ª.
ASPAS.
Vêm entre aspas:
Os estrangeirismos
(as palavras estrangeiras): “Pizzaria”, “mobylette”, “show”, “vídeo game”.
Observação: Matinê, buate e pingue-pongue, no entanto, não vêm entre aspas, por
serem estrangeirismos aportuguesados.
Os apelidos:
“Zezinho”, “Juca”, “Nice”.
As citações que
não sejam de sua autoria: “Oxalá não se me fechem os olhos sem que o queira
Deus”. (Rui Barbosa). “Se viveres com dignidade, não melhorarás o mundo, mas
uma coisa é certa, haverá na terra um canalha a menos” (Confúcio). Observação:
As citações, quando não colocadas entre aspas, constituem plágio, o que é
errado e desonesto. Plagiar, segundo o dicionário do Aurélio, é “assinar ou
apresentar como seu obra artística ou científica de outrem” (de outro autor).
As gírias. Isto
é, as palavras usadas em sentido figurado. A festa foi um “barato” (ótima,
“legal”). Não “saquei” (entendi) nada. Aliás, evite usar gírias.
16ª.
ASPECTO VISUAL.
Qualidade da
letra, margem, espaços entre as palavras, legibilidade, limpeza, pontuação,
facilidade de leitura, parágrafos (espaços), períodos (se não deixou períodos
longos).
17ª.
ASSÍNDETO.
É a ausência de
conjunções coordenativas no período composto.
Cheguei, vi,
venci.
O barco veio,
chegou, atracou, chegamos.
18ª.
AVALIAÇÃO.
A autocrítica pode
ser essencial quando se deseja melhorar o texto.
Avalie o texto.
Verifique se as frases soam bem, se não contêm cacófatos ou rimas. Começou bem
a redação e terminou-a melhor ainda?
A avaliação de
uma redação segue um critério rigoroso, pois está relacionada à norma culta da
língua portuguesa. Além da parte específica de gramática, muitas vezes
recorre-se à grafologia para verificar-se o perfil psicológico e pendores
vocacionais do candidato à função que pleiteia.
19ª.
BARBARISMO OU ESTRANGEIRISMO.
É a utilização de
palavras ou construções estranhas à língua portuguesa. Evite usá-lo.
|
ESTRANGEIRISMOS |
PREFIRA |
|
Show |
espetáculo |
|
Jeans |
calça de brim |
20ª.
BATE-PAPO.
Evite a projeção de
bate-papo, ou seja, escrever com estilo coloquial numa redação.
A Guerra do
Iraque foi duramente criticada, vai daí que os americanos tiveram abalado seu
conceito de democracia.
A expressão “vai
daí que” é da fala coloquial, devendo ser substituída por uma construção mais
adequada:
A Guerra do
Iraque foi duramente criticada e, em função de sua postura, os americanos
tiveram abalado seu conceito de democracia.
Ele repetia tudo
o que dizia, que nem um papagaio de madame.
A palavra adequada
é como; “que nem” desmerece o texto em que está inserido, a não ser que
represente a fala popular da personagem.
21ª.
BILHETE.
É uma forma de
comunicação da língua escrita, bastante simples e breve.
22ª.
BOM SENSO.
Evite construções
complexas. Leia o texto várias vezes para ter certeza de que ficou claro e
preciso.
23ª.
BRANCO.
Em caso de dar
branco, procure relaxar e tente escrever qualquer coisa, desde que dentro
do assunto e com um mínimo de sentido.
24ª.
CABEÇALHO.
Não há pontuação após os dados do cabeçalho.
Faça o cabeçalho
de sua redação completo, com todos os dados indispensáveis, dentro da estética,
ou seja, organizado, perfeitamente alinhado um embaixo do outro e no centro do
papel.
25ª.
CACOFONIA OU CACÓFATO.
É o encontro de
sílabas que formam palavras de sentido ridículo ou obsceno, com a produção de
som desagradável.
|
ORAÇÕES COM CACÓFATOS |
ESCREVA-AS ASSIM |
|
Meu coração por ti gela. |
Meu coração gela por ti. |
|
Vou-me já para casa. |
Já estou indo para casa. |
|
O noivo beijou a boca
dela. |
O noivo beijou-a na boca. |
|
Nunca gaste dinheiro com
bobagens. |
Jamais gaste dinheiro com
bobagens. |
26ª.
CALIGRAFIA.
Escreva com capricho e nitidez, procurando tornar sua grafia clara,
uniforme e bem legível.
Se tiver a grafia
ruim, faça de tudo para melhorá-la, porque uma redação escrita com capricho e
grafia bonita impressiona favoravelmente.
Não invente
traços novos nas letras e não enfeite demais as maiúsculas, pois o leitor do
texto pode não compreender o que você está escrevendo.
27ª.
CARACTERÍSTICO.
Observe os seres
no que têm de mais característico. Procure traduzir essas impressões ou os
fatos sem se alongar em considerações desnecessárias, que nada acrescentem de
importante à cena ou ao fato.
Ombros curvados,
cabelos escuros que o pente mal vira, passos arrastados – um homem ainda moço,
levando consigo a carga de uma pesada e infeliz vida.
Em um canto,
calada, estava Maria, com seus grandes olhos negros, cabelos que caíam em
cascata pelos ombros, dona de uma beleza intrigante e misteriosa. Para ela tudo
era novo e assustador.
28ª.
CARTA.
É uma das formas
de comunicação da língua escrita, usada desde a antiguidade. Por meio dela você
(remetente) pode dizer às pessoas (destinatários) o que faz, o que pensa, o que
deseja.
A primeira carta
de que se tem registro foi escrita há 4 mil anos, na Babilônia e se tratava de
uma correspondência amorosa.
29ª.
CENA.
Para descrever
aspectos de uma cena, veja se deve empregar pronomes indefinidos ou adjuntos
adverbiais, de modo a ordená-la.
A escada já lhe
era conhecida. No entanto, uma passadeira nova cobria os degraus desgastados,
tentando trazer um pouco de claridade e alegria ao ambiente envelhecido e quase
sem vida.
Uma mulher ainda
jovem procurava o endereço que trazia nas mãos. Seu olhar vagava aflito. Quem a
observasse poderia confundir aquela expressão ansiosa... Na verdade, o que ela
esperava é que, realmente, o tal endereço não existisse.
30ª.
CHAVÕES, CLICHÊS, FRASES FEITAS, JARGÕES, LUGARES COMUNS, MODISMOS.
Evite-os, pois
empobrecem o texto e demonstram a ausência de originalidade, falta de
imaginação e de bom gosto.
A inflação
galopante, rigoroso inquérito, vitória esmagadora, astro-rei.
Caixinha de surpresas, nos píncaros
da glória, encerrar com chave de ouro, nos primórdios da humanidade.
Não é fácil falar
a respeito de… Bem, eu acho que… A esperança é a última que morre. …um dos
problemas mais discutidos da atualidade.
31ª.
CLAREZA.
Redija frases curtas
e, portanto, use ponto à vontade.
Escreva com toda
a simplicidade e clareza, sem embolar o assunto. Ser claro é ser coerente,
conciso, não se contradizer.
São inimigos da
clareza: a desobediência às normas da língua, os períodos longos e o vocabulário
difícil, rebuscado ou impreciso.
O segredo está em
não deixar nada subentendido, nem imaginar que o leitor sabe o que se quer
dizer. Evidencie todo o conteúdo da escrita. Lembre-se de que está dando uma
opinião, desenvolvendo idéias, narrando um fato. O mais importante é fazer-se
entender.
|
TEXTOS EMBOLADOS—CONFUSOS |
|
CORREÇÃO |
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Participei de um
campeonato tirei segundo lugar em ping-pong e ganhei medalha de prata. |
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Participei de um campeonato
de “ping-pong”, no qual tirei segundo lugar, tendo ganhado uma medalha de
prata. NOTA: “Ping-pong”, entre aspas, por ser estrangeirismo. |
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Comemoramos o aniversário
de meu pai que foi uma surpresa para ele, fizemos um churrasco com muitas bebidas. |
|
Comemoramos o aniversário
de meu pai e, como surpresa para ele, fizemos-lhe um churrasco com muitas
bebidas. |
|
|
Na hora de ir embora nós
fomos pela canoa, a mesma começou a balançar, eu na ponta da canoa fazendo a danada
balançar, teve uma vez que a canoa quase emborcava, eu tomei um choque. |
|
Na hora de voltarmos,
viemos numa canoa que começou a balançar, sendo que eu, que estava na ponta
da canoa, fi-la balançar mais ainda. Houve um momento em que ela quase emborcava,
quando tomei um grande susto. ATENÇÃO: “Tomar um choque” é receber uma
descarga elétrica. Portanto, a expressão está usada indevidamente. No caso, a
expressão adequada é “tomar um susto”. |
|
32ª.
COERÊNCIA.
A coerência entre
todas as partes do texto é fator primordial para se escrever bem. É necessário
que elas formem um todo, ou seja, que estabeleçam uma ordem para as idéias, se
completem e formem o corpo da narrativa. Explique, mostre as causas e as
conseqüências.
Em muitas
redações fica patente a falta de coerência. O candidato apresenta um argumento
e o contradiz mais adiante. As idéias contidas no texto devem estar
interligadas de maneira lógica. O vestibulando não pode expor uma opinião no
início do texto e desmenti-la no final. Deve-se ter cuidado redobrado para não
se cometer esse tipo de erro.
Em vestibular da
FUVEST, o candidato saiu-se com a seguinte frase: “...a palidez do sol
tropical refletia nas águas do rio Amazonas”. Convenhamos que o sol
tropical pode ser acusado de muitas coisas, menos de palidez. O riso provocado
pela leitura do texto poético é derivado de um caso de incoerência no uso da
imagem.
33ª.
COESÃO.
A falta de coesão
provoca a redundância. Fica-se dando voltas num assunto, sem acrescentar-lhe
nada de novo. É típico de quem não tem informação suficiente para compor o
texto.
Em lugar
de: Comprei sorvetes. Dei os sorvetes a meus filhos.
Deve-se usar:
Comprei sorvetes. Dei-os a meus filhos.
34ª.
COLISÃO.
É a seqüência
desagradável de consoantes ou sílabas idênticas.
|
ORAÇÕES COM COLISÃO |
REDAÇÃO MELHOR |
|
Jorge já jantou. |
Jorge acabou de jantar. |
|
O rato roeu a roupa da
rainha. |
O rato roeu os nobres
tecidos que compunham os trajes da rainha. |
35ª.
COLOQUIALISMO.
Uso da língua na forma
como é escrita, ou seja, é uma armadilha para o aluno o emprego de termos
coloquiais, gíria e jargão. Expressões coloquiais só são aceitas na reprodução
de diálogos. Isso não significa que o texto tenha de ser empolado,
de difícil entendimento.
Evite usar as
expressões: só que, que nem, é o seguinte, etc.
36ª.
COLORIDA.
Procure dar, às
suas personagens, uma linguagem não só adequada, mas, também, colorida
por imagens pertinentes, ligadas a elas e ao assunto.
A senhora soltou um
pequeno grito, e o rapaz, de vermelho que estava, fez-se cor de cera; mas
Botelho procurou tranqüilizá-los.
O primeiro raio
do sol encontrou Tapirapé moreno, pele molhada, com cabelo e olho bem cor de
noite sem lua, sentado na folha redonda do mururu.
37ª.
COMEÇO.
Uma redação não é
nenhum bicho de sete cabeças. Respire fundo. Três vezes. Devagarinho.
Deixe o ar chegar lá em baixo, no fundão da barriga. Visualize o umbigo. Sorria
para ele. Por dentro e por fora. Escolha uma frase bem atraente. Pode ser uma
declaração, uma citação, uma pergunta, um verso, a letra de uma música. Depois
desenvolva o seu tema. Cada idéia num parágrafo. Por fim, conclua. Com fecho de
ouro.
38ª.
COMPARAÇÃO.
É a aproximação de dois termos
entre os quais existe alguma relação de semelhança, como na metáfora.
Quando usar comparações, escolha a
conjunção que as introduz em função do tipo de linguagem que está empregada.
Use a comparação, hipotética ou
não, quando perceber que estabeleceu entre o ser que você descreve e outro uma
semelhança interessante e que ela vai enriquecer seu texto.
A liberdade das
almas, frágil, frágil como o vidro.
A chuva caía como
lágrimas de um céu entristecido.
As chamas, como
língua de monstro, saíam pelas janelas.
39ª.
COMUNICAÇÃO.
Em situações de comunicação
descontraída e, sobretudo, oral, você pode, conforme o caso, substituir o
futuro do presente pelo imperativo.
Não saia (sairás)
até que tenhamos concluído esta conversa.
Eu não sabia que
ele era o meu pai. Veja (verás) que não minto, basta que me dê a oportunidade
de provar.
40ª.
CONCISÃO.
Elimine palavras
ou expressões desnecessárias.
Escreva com
clareza e, na medida do possível, diga muito com poucas palavras.
Concisão,
clareza, coesão e elegância: palavras-chaves que definem um texto competente
num exame vestibular.
Seja claro,
preciso, direto, objetivo e conciso. Use frases curtas e evite intercalações
excessivas ou ordens inversas desnecessárias.
O aluno deve
expressar o pensamento com o menor número de palavras possível. Aquilo que é
desnecessário deve ser eliminado. A concisão dá ênfase ao estilo. O prolixo
prejudica e enfraquece o texto, além de tirar o brilho de suas idéias.
|
EM VEZ DE |
EMPREGUE |
|
...neste momento nós
acreditamos. |
...acreditamos. |
|
Travar uma discussão. |
Discutir. |
41ª.
CONCLUSÃO.
Não conclua sua
redação, jamais, com as seguintes terminologias: concluindo, em
resumo, nada mais havendo, poderia ter feito melhor, como
o tempo foi curto, etc.
Termine-a, sim, com conclusões
consistentes (e não com evasivas).
42ª.
CONCORDÂNCIA.
Cuidado para não
cometer erros gramaticais, como de concordância.
Lembre-se de que o verbo sempre
concordará com o sujeito e os nomes devem estar concordando entre si.
|
ERRADO |
CERTO |
|
Falta cinco alunos. |
Faltam cinco alunos. |
|
Fazem dez dias que não
chove. |
Faz dez dias que não
chove. |
|
Minas férias começou. |
Minhas férias começaram.
(plural, com plural, isto é, férias concordando com começaram). |
|
Os meninos saltavam
descalço sobre as poças d´água da rua. |
Os meninos saltavam
descalços sobre as poças d´água da rua. |
43ª.
CONHECIMENTO LINGÜÍSTICO.
Use todo o seu
conhecimento gramatical. Faça um rascunho e ao passar o texto a limpo, observe se
faltam acentos, sinais de pontuação, se há erros de grafia, termos de gíria,
impropriedade vocabular.
44ª.
CONJUNÇÃO.
Seja cauteloso ao
utilizar as conjunções como, entretanto, no entanto, porém.
Quase sempre são dispensáveis.
Evite o exagero de
conectivos (conjunções e pronomes relativos) para evitar a repetição e para não
alongar períodos.
Para mostrar
hipóteses diferentes, as dúvidas e conflitos de reflexão da personagem, explore
as conjunções alternativas e adversativas.
Sim, sou homem e
deixei-me levar por meus instintos. Como a senhora deve saber, sou respeitador.
Nada farei que desabone a minha conduta.
Elvira era
simplesmente uma entre as outras empregadas domésticas da mansão. Tinha, no
entanto, seus sonhos, alguns até mesmo ousados, e uma quase certeza de
conseguir alcançá-los. Mas como? Decidiu, após muito pensar. Se ficasse mais
algum tempo naquele trabalho, poderia conseguir uma promoção para chefe das
serviçais ou, pelo menos, um aumento no ordenado, já que desempenhava com
esmero suas funções. E, a partir dessa convicção, tornou-se exemplar.
45ª.
CONJUNTO.
Quando quiser
descrever um conjunto, empregue termos indicadores de lugar que revelem
posição, aproximação ou afastamento de aspectos diferentes do conjunto.
Estavam todos os
cavaleiros em volta da mesa. Nem todos, porém, tinham o mesmo prestígio
na corte. Perto do rei estavam os mais destacados nobres: Marcelo, à esquerda;
Eduardo, à direita. O primeiro trajava negro com as insígnias reais e o brasão
de família. O segundo trajava azul e não trazia insígnias. Uma armadura
reforçada cobria seu tórax.
46ª.
CONSTRUÇÕES.
Não escreva
construções como lá em Recife, aqui em Salvador mas, sim, em
Recife, em Salvador.
47ª.
CONTEÚDO.
Um bom texto não
é apenas o texto correto, sem erros gramaticais. Ele deve ter conteúdo.
O conteúdo, que
vale, no mínimo, 5 (cinco) pontos numa redação, não pode ser ridículo,
nem infantil, mas deve ser simples.
Tome-se, como
exemplo, o seguinte tema: O Acidente Nuclear de Chernobyl. Ao redigir sobre
esse tema, não se pode esquecer, de forma alguma, de abordar os seguintes
assuntos:
Nos próximos 30
(trinta) anos ainda vão morrer mais de 5 mil pessoas na Rússia e em países
circunvizinhos, em conseqüência desse acidente.
A economia dos
países vizinhos foi enormemente prejudicada, porque eles foram contaminados
pela radioatividade.
Mais de 100 mil habitantes da
cidade de Kiev foram evacuados, para que ela fosse despoluída, tornando-se uma
cidade fantasma.
Os programas de
energia nuclear foram quase totalmente paralisados, em todo o mundo, em
razão dessa terrível tragédia.
Ficou comprovado,
com esse acidente, que o homem ainda não está dominando, inteiramente, com
segurança, a tecnologia da energia nuclear. A sua utilização e expansão,
portanto, precisa ser repensada.
Faça sempre uma análise crítica do que escreveu,
como, por exemplo, através das seguintes perguntas: Sua redação é interessante?
A leitura do texto é agradável? Tem boas idéias? O texto dá uma boa idéia
daquilo que foi descrito? O texto está bem organizado?
Presume-se que o candidato prestes a ingressar numa
universidade tenha certa cultura. Assim sendo, não pode encarar o tema da
redação de modo infantil ou rasteiro. É por meio do conteúdo, especialmente,
que o professor irá aquilatar a capacidade ou o grau de conhecimento do aluno.
48ª.
CONTO.
É a mais breve e
simples narrativa, centrada em um episódio da vida.
49ª.
CONTRADIÇÃO.
Para desenvolver
a impressão de contradição, use conjunções adversativas. Se for o caso, varie
as conjunções, observando as que se prestam a determinada situação.
Um homem gordo,
bem vestido, porém sem pompa, saiu logo a seguir. Dirigiu-se ao carro, com
passo leve e animado, mas não entrou.
O caso estava
praticamente resolvido, mas alguma coisa ainda perturbava o Inspetor. A testemunha
jurara ter dito a verdade, contudo sua voz não parecia firme como deveria estar
naquela circunstância.
50ª.
CONTRASTE.
Para manter a
curiosidade do leitor com relação a personagens (ou cenário) contrastantes,
oponha um a um os elementos em contraste.
Letícia, bonita,
rica e cheia de preconceitos, olhava com desprezo a jovenzinha mirrada e
pobremente vestida que tentava vender doces, aproveitando o sinal fechado.
A magreza e a
palidez da jovem que se inspirava nas modelos de passarela, contrastava violentamente
com as faces coradas e cheias de vida da amiga saudável, cujos padrões de
estética divergiam frontalmente das de sua companheira.
51ª.
COORDENAÇÃO.
Coordene suas
idéias como se estivesse contanto uma história: o seu texto deve ter início
(introdução), meio (desenvolvimento) e fim (conclusão).
52ª.
COR.
Escreva apenas
com caneta preta ou azul. O rascunho ou o esboço das idéias podem ser feitos a
lápis e rasurados. O texto não será corrigido em caso da utilização de lápis
ou caneta vermelha, verde, etc na redação definitiva.
53ª.
CORREÇÃO GRAMATICAL.
A linguagem
utilizada na redação precisa estar de acordo com a norma culta, ou seja, deve
obedecer aos princípios estabelecidos pela gramática.
Tenha o
máximo de cuidado para que sua redação não apresente, principalmente, nenhum
erro de ortografia, acentuação, pontuação e concordância, seja ela verbal ou
nominal.
Conhecer as
normas que regem o uso da língua é fundamental para a produção de um texto
correto. Em caso de dúvidas na redação, consulte sempre um bom livro de
gramática.
54ª.
CRASE.
Expressões com
crase: À beça, à toa, etc.
Uso corriqueiro
da crase, mas absolutamente errado: Marcelo reside à Rua (Avenida, Praça, etc).
O correto é: Marcelo reside na Rua, na Avenida, na Praça, etc. (Quem
reside, reside em algum lugar).
55ª.
CRIATIVIDADE.
É claro que uma
abordagem original do tema valoriza seu texto. No entanto, o vestibulando deve
ter cuidado para não confundir criatividade com idéias esdrúxulas. Na gíria
estudantil, não viaje.
Lembre-se:
Ninguém pode exigir que escreva bem, como um escritor, pois isto pressupõe
talento; as faculdades querem que se escreva certo.
56ª.
CRÍTICA.
É um tipo de
redação que aprecia e avalia livros de caráter científico ou literário, além de
manifestações artísticas ligadas ao cinema, ao teatro, à música, etc.
Habitue-se a
criticar sua redação, procurando ver se todos os seus pormenores colaboram para
criar a idéia que tem em mente.
Solicite a uma
terceira pessoa, de bom conhecimento técnico ou nível escolar, para ler e fazer
críticas sobre o seu texto, pois a leitura demasiada de nossos próprios
trabalhos torna-nos cegos para determinados pontos.
57ª.
CRÔNICA.
É uma narrativa
curta que retrata, em geral, fatos do cotidiano, presenciados ou não pelo narrador,
escrita numa linguagem leve, de caráter jornalístico.
58ª.
CURRÍCULO.
É um documento
que reúne as informações profissionais para alguém que se candidata a um
emprego. Contém objetivo, formação escolar, idiomas que domina, experiência
profissional, pretensão salarial, etc.
59ª.
DESCRIÇÃO.
Descrever é fazer
um retrato com palavras, isto é, apresentar, detalhadamente, características de
pessoas, animais, objetos, lugares, etc.
Quando quiser estabelecer uma ordem cronológica na
sua descrição, mostrando as mudanças sucessivas da paisagem, use termos que
indicam sucessão (sobretudo adjuntos adverbiais de tempo).
60ª.
DESENVOLVIMENTO.
É a redação
propriamente dita. No desenvolvimento, o aluno deverá discutir os argumentos
apresentados na introdução. Em cada parágrafo, escreve-se sobre um argumento.
Tenha sempre em
mente que o examinador de sua dissertação provavelmente seja uma pessoa culta,
que lê bons jornais e revistas e tem bastante conhecimento geral, portanto não
generalize.
É a parte mais
importante em qualquer texto. É quando podemos nos aprofundar nas idéias que,
por enquanto, foram apenas mencionadas na introdução. Os argumentos devem ser
apresentados em função da idéia e organizados com clareza para não confundir o
leitor. Devemos ser cuidadosos para que o texto não se torne inconsistente e
imaturo por falta de informação de nossa parte. Para isso, é preciso que nos
ilustremos, lendo revistas, jornais e livros; assistindo a noticiários na
televisão; freqüentando o maior número possível de produções culturais a que
tivermos acesso - teatro, “shows”, exposições, etc. Em qualquer uma dessas
atividades, assuma uma posição crítica questionadora que resultará em análises
objetivas e, conseqüentemente, em julgamentos coerentes. Evite radicalismos,
ofensas pessoais, nacionalismos piegas e “achismos” (eu acho, eu penso)
61ª.
DIÁLOGO.
É a conversa entre duas ou mais
pessoas. A fala de cada personagem é indicada, na escrita, por um travessão.
Ao apresentar um diálogo, ou a personagem pensando,
use o presente do indicativo para sugerir a proximidade do fato futuro.
62ª.
DIÁRIO.
É uma das formas
do registro do mundo interior, ou seja, das confissões, dos segredos, etc, de
uma pessoa.
63ª.
DICAS.
Ao escrever uma redação, faça, primeiramente, uma lista de tudo o que lhe
vier à memória.
Quanto mais
idéias, melhor.
Não se preocupe
em saber se as idéias são boas ou más. Escreva-as, simplesmente.
Anote tudo, sem
ordem, sem critério, sem censura.
Use palavras
simples e frases curtas.
Selecione as
idéias e estruture o seu texto.
64ª.
DICIONÁRIO.
Em vez de sair
por aí “chutando” palavras cujos significados você não conhece bem, utilize-se
de um bom dicionário, em livro ou disquete, para aumentar o vocabulário.
65ª.
DIMINUTIVO.
Use o diminutivo
com muito cuidado, e sempre quando for importante marcar a dimensão dos seres,
ou a afetividade (carinho, desprezo) da personagem com relação a esses seres.
Pegou o banquinho
para apoiar o pé enquanto tocaria violão.
Disse para a
avozinha que lhe traria o doce de goiaba de que tanto gostava.
66ª.
DISCUSSÃO.
Falar e ouvir são
meios de desenvolvimento do espírito humano. O debate de idéias pode levar a um
resultado enriquecedor.
67ª.
DISSERTAÇÃO.
Nunca se inclua em
sua dissertação, principalmente para contar fatos de sua vida particular.
É uma redação
que, através do raciocínio, expõe idéias, doutrinas, impressões, pontos de
vista.
Utilize sempre, em suas dissertações, a primeira
pessoa do plural em vez da primeira pessoa do singular.
A dissertação é a
forma mais comum de redação. É a mais solicitada nos exames vestibulares e
provas de colégio.
Dissertar é defender uma opinião a
respeito de determinada questão. Para isto, precisamos conhecer o assunto e
refletir sobre ele.
É analisar um
assunto proposto, emitindo opiniões gerais. Deve ser feito de modo impessoal e
com total objetividade. Essa visão imparcial perde-se quando o autor confunde a
problemática que está analisando com os problemas particulares que possa ter.
68ª.
DIVAGAR.
“Estou sem
inspiração para fazer uma redação. Escrever sobre a situação dos
sem-terra? Bem que o professor poderia propor outro tema.”
Não fale de sua
redação dentro do próprio texto, porque isso demonstra insegurança e vazio de
idéias. Ademais, sua nota ficará seriamente comprometida quando da avaliação do
conteúdo.
69ª.
DOIS PONTOS.
As citações vêm sempre após dois
pontos.
Lá, fiz diversas coisas: tomei
banho de piscina, na sauna, montei cavalo e charrete, comi cacau, etc.
Use dois pontos, antes de uma enumeração, se quiser
valorizar os termos que a constituem.
Descobri a grande
razão da minha vida: você.
Já dizia o poeta:
Deus dá o frio conforme o cobertor.
70ª.
E (minúsculo).
Faça-o um pouco
aberto, para não ficar parecendo “i”, de forma que o seu interior apareça com
toda a nitidez.
71ª.
ECO OU ASSONÂNCIA.
É a repetição
desnecessária de palavras terminadas pelo mesmo som, provocando rimas
desagradáveis, com um ritmo batido e monótono.
|
FRASES COM ECO |
ESCREVA-AS ASSIM |
|
|
Neste momento eu
tive um aumento de vencimento. |
Tive aumento de salário. |
|
|
Clemente, certamente,
está descontente com o parente. |
Clemente, com certeza,
está aborrecido com o primo dele (como poderia ser irmão, etc). |
|
72ª.
EDITORIAL.
É um artigo que
exprime a opinião do órgão jornalístico. É o jornalismo opinativo.
73ª.
ELEGÂNCIA.
A leitura de um
texto elegante, que deve ser criativo e original, torna-se agradável ao leitor.
Fuja de gírias e
palavrões. Mantenha uma certa elegância no seu texto, sem cair em pedantismos
exagerados.
A elegância
começa pela própria apresentação do texto, ou seja, limpo, sem borrões ou
rasuras, e com letra bem legível. Importantíssimo atentar, também, para a
correção gramatical, a clareza, a concisão e para o conteúdo da redação, que
deve ser original e criativo.
74ª.
ELIPSE.
É a omissão de um
termo previsível, subentendido, que deixa de ser expresso por ser óbvio, mas
também confere elegância à frase.
Vida
interessante, a dele...
Na rua, um
malvado; em casa, um santo.
A casa era pobre.
Os moradores, humildes.
75ª.
EM, NO, AO, NA, À.
|
ERRADO |
CERTO |
|
Fui em Jequié, na fazenda,
no jogo. |
Fui a Jequié, à fazenda,
ao jogo. A regência do verbo ir exige preposição “a” e não “em”. (Quem vai, vai
a algum lugar, e não em algum lugar). |
76ª.
EMBROMAÇÃO.
É o famoso enche
lingüiça. Fica-se dando voltas no mesmo lugar, usando-se palavras vazias e embromatórias.
A vida, única e exclusivamente,
é tão complexa que, apesar de tudo, não obstante o que possam dizer, torna-se
altamente problemática.
77ª.
EMOÇÃO OU LINGUAGEM EMOCIONAL.
Não analise os
temas propostos movido por emoções exageradas. Mantenha-se imparcial em
quaisquer circunstâncias.
Não transforme
seu texto em desabafo nem em panfleto, com linguagem apaixonada. A emoção deve
ficar no rascunho, enquanto que no texto definitivo você deve chamar a razão
para auxiliá-lo.
Quando nos
exaltamos a respeito de determinado assunto ou sobre a pessoa de quem estamos
falando, infringimos a boa norma da escrita padrão, por fazermos uso de juízos
de valor sobre os fatos. A objetividade é imprescindível, a fim de que o texto
se mantenha imparcial e claro.
Existem alguns temas
dissertativos que envolvem a análise de assuntos dramáticos, que causam revolta
e indignação pela própria gravidade de sua natureza. Porém, por mais revoltante
que se mostre o assunto tratado, ele deve ser abordado de modo comedido e, se
possível, imparcial. Não devemos deixar nossas emoções interferirem
demasiadamente na análise equilibrada e objetiva que precisa transparecer em
nossas redações, porque elas impedem que ponderemos outros ângulos da questão.
Só assim, com a predominância da argumentação lógica, ela se mostrará
convincente.
Os noticiários
apresentam-nos todos os dias crimes bárbaros cometidos por verdadeiros animais,
que deveriam ser exterminados, um a um, pela sua perversidade sem fim.
Muitos menores
que perambulam pelas ruas e se tornam delinqüentes são vítimas indefesas de um
governo ineficiente, que não se preocupa e não respeita o direito que eles têm
à educação.
78ª.
ENCHE LINGÜIÇA.
Não espiche o
assunto, isto é, não diga com 8 (oito) palavras o que pode dizer com 5 (cinco).
Seja objetivo e direto.
Encher lingüiça é, também,
repetir idéias, a saber, tornar a abordar um assunto com palavras diferentes
sobre o qual já tinha escrito anteriormente.
Exemplos de
expressões muito usadas por quem gosta de encher lingüiça: Antes de mais nada,
muito pelo contrário, por outro lado, por sua vez, etc.
|
ERRADO |
|
CERTO |
|
Em um dos domingos que
passaram, eu tinha ido a Itabuna… |
|
Num domingo, fui a
Itabuna… |
|
Durante esses dias de
minhas férias, brinquei de diversas brincadeiras… |
|
Em minhas férias, brinquei
muito… |
79ª.
ÊNFASE.
Chame a atenção
para o assunto com palavras fortes, cheias de significado, principalmente no
início da narrativa. Use o mesmo recurso para destacar trechos importantes. Uma
boa conclusão é essencial para mostrar a importância do assunto escolhido.
Remeter o leitor à idéia inicial é uma boa maneira de fechar o texto.
80ª.
ENTREVISTA.
É o encontro de duas
pessoas em que uma interroga (entrevistador) a outra (entrevistado) sobre suas
ações ou idéias. Um conjunto, portanto, de declarações de uma determinada
pessoa, que autoriza, implícita ou formalmente, sua publicação.
81ª.
ENUMERAÇÃO.
Use a enumeração quando
quiser reforçar determinada sugestão ou quando quiser sugerir variedade,
multiplicidade, coisas intermináveis. Em frases separadas, os membros da
enumeração ficam mais realçados ainda.
Muitas virtudes
deve ter o político: honestidade, iniciativa, inteligência, ponderação.
A história ia
longe: era um festival de exageros, um esmiuçamento de detalhes fúteis, um
conjunto longo de fofocas, mais as ofensas e a grosseria de falar de quem não
estava presente para defender-se. O homem desatinava. Pensava um verbo,
corrigia-se ou pedia a alguém para lembrar-lhe a palavra injuriosa que queria
dizer. Soltava mais uns três impropérios. Desandava a emendar e emendar. No
final, a platéia estava atônita, angustiada de aflição e agradecendo a
despedida do sujeito.
82ª.
ERROS.
Anote os erros
mais freqüentes para servir-lhe de apoio para no futuro não cometê-los mais. Já
ouviu aquela máxima que diz: Errar é humano, mas permanecer no erro é
diabólico?
83ª.
ERUDIÇÃO. PEDANTISMO.
É escrever usando
palavras difíceis e desconhecidas, para tentar impressionar os outros. Não seja
pretensioso nem erudito.
Lembre-se de que
escrever bem é redigir com simplicidade, clareza, concisão, correção e
elegância.
Adianta alguma
coisa escrever um monte de palavras difíceis, complicadas, que ninguém vai
entender? Comunicar-se é fundamental.
|
TEXTOS ERUDITOS |
|
|
Inobstante o exposto,
deve-se buscar o contraditório. |
|
|
A nível de personalidade,
os brasileiros são muito cordiais. |
|
|
TEXTO EXTREMAMENTE PEDANTE |
|
|
Os homens se contendem
pelas protuberâncias conexas das excentricidades congêneres da apologética,
silontrando a insipidez patológica das homogeneidades mórbidas, farpantes em
que o ostracismo melancólico de um traumatismo espontaneamente uniforme e
retilíneo, engavela os insignes caracóides mentores das obrividências, nos
epídotos escalenos de filisteus e trogloditas, enviperando genetrises
macropétalas de um púlcaro desnalgado e exaurível, bacorejando páramos
tripétalos de lucidez sem nexo. |
|
84ª.
ESCREVER.
Não existem
fórmulas mágicas para se redigir bem. O exercício contínuo, aliado à constante
leitura de bons autores e à reflexão, é indispensável para a criação de bons
textos.
Enganam-se
aqueles que pensam que é fácil escrever. Todos os grandes escritores desmentem
o mito da inspiração. Uma das frases mais famosas sobre o assunto afirma o
seguinte: "O ato de redigir requer 1% de inspiração e 99% de
transpiração".
Se você se
limitar a repetir o que todo mundo escreve, com medo de errar, provavelmente
cairá no lugar-comum e na mediocridade. Inove sempre, sem medo. Seja atrevido!
A segurança virá aos poucos e com a satisfação de perceber que fez algo seu,
com seu próprio padrão de qualidade.
Quer escrever bem?
Leia, então, muito e sempre. É atividade que requer treino, perseverança e até
uma boa dose de teimosia. Ninguém nasce sabendo redigir bem.
Escreva na ordem
direta, dispense os detalhes irrelevantes e vá diretamente ao que interessa,
sem rodeios.
Redigir bem é uma
questão de prática, como qualquer outra atividade. Ninguém vai ensiná-lo a
pintar segurando os pincéis para você.
Se quiser
escrever bem, leia muito e sempre.
Uma redação bem escrita é vaga garantida para o ingresso à universidade.
Escreva diários,
cartas, e-mails, crônicas, poesias, redações, qualquer texto. Só se
aprende a escrever, escrevendo.
Escrever é falar
no papel, e sem rascunho é impossível. Escreva sem medo e sem preguiça, fazendo
vários rascunhos, lendo em voz alta o texto escrito para descobrir as falhas.
Muitas vezes a
impropriedade vocabular se transforma claramente em erro, às vezes grosseiro. O
relâmpago atingiu o ônibus. O que atingiu o ônibus foi o raio. Havia cem
pessoas no féretro. O féretro é o caixão, e não o enterro.
Redigir bem
depende de bastante leitura (jornais, livros, revistas), que lhe fornecem
informações novas e atuais, e de muita prática. Todos os dias, antes de dormir,
sente-se num local adequado e confortável em seu quarto e escreva em uma folha
de papel como foi o seu dia. Eis um bom começo.
Adquira o hábito
de escrever, exercitando-se, principalmente, com os temas que têm caído nos
vestibulares mais recentes. Meça bem as palavras, usando as mais simples, não
se esquecendo de acentuá-las e pontuá-las com precisão. Jamais se desvie do
tema. Seja o mais claro possível. Mostre raciocínio lógico, agudeza mental,
inteligência e conhecimentos. Texto bom e legível é aquele no qual as palavras
estão adequadamente dispostas na frase, com elegância, precisão, clareza e
objetividade.
85ª.
ESPAÇOS ENTRE LINHAS.
O cabeçalho da
redação deve começar na primeira linha do papel. O título, uma ou duas linhas
após a última linha do cabeçalho. A redação, uma ou duas linhas depois do
título.
86ª.
ESPAÇOS ENTRE PALAVRAS.
Use espaços
normais entre as palavras, devendo estas ficar nem muito distanciadas nem muito
próximas umas das outras.
87ª.
ESQUEMA.
Antes de iniciar
a redação (antes mesmo do rascunho), faça um esquema de um roteiro de idéias.
O esquema é um
mapa e um guia, que evitará desvios ou retrocessos quando da elaboração do
texto.
Esquematizar é
planejar. É caminhar com os olhos abertos. É saber o terreno onde pisa. É dar à
redação um destino, um sentido, um fim.
88ª.
ESTÁTICA.
Sempre que quiser
apresentar uma cena estática, evite a repetição dos verbos ser e estar e
empregue frases nominais.
Papéis por toda a
parte. Memorandos, relatórios, ofícios, anotações.
Roberto,
paralisado, no meio da rua. Sentado. Olhar ao longe. Tristeza.
89ª.
ESTÉTICA.
Capriche na parte
estética de sua redação, ou seja, faça letras bonitas e bem legíveis, margens
regulares, espaço uniforme no início do parágrafo, tudo isso sem qualquer tipo
de rasura.
90ª.
ESTICAR.
Expedientes muito
usados para “esticar” uma redação, mas que não enganam ninguém, muito menos uma
banca corretora: Letra muito grande ou espichada, nova margem, enormes
margens de parágrafo, paragrafação excessiva, citações falsas ou
impertinentes, etc.
91ª.
ESTILO.
Você já ouviu
alguém dizer que cada pessoa tem uma maneira diferente (estilo) de
escrever? Paulo Mendes Campos, já falecido, que foi um dos maiores
cronistas brasileiros, era um grande estilista.
Veja, a seguir,
alguns textos deliciosos e imperdíveis!
ESTILO
NÉLSON RODRIGUES.
Usava gravata cor
de bolinhas azuis e morreu!
ESTILO
INTERJETIVO.
Um cadáver!
Encontrado em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um homem
desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando a cidade
acordava! Que pena!
ESTILO
COLORIDO.
Na hora
cor-de-rosa da aurora, à margem da cinzenta Lagoa Rodrigo de Freitas, quem via
de cor preta encontrou o cadáver de um homem branco, cabelos louros, olhos
azuis, trajando calça amarela, casaco pardo, sapato marrom, gravata branca com
bolinhas azuis. Para este o destino foi negro.
ESTILO
PRECIOSISTA.
No crepúsculo
matutino de hoje, quando fulgia solitária e longínqua a Estrela-d´Alva, o
atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e
murmurante de uma lagoa serena, deparou com a lúrida visão de um ignoto e
gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que vivifica.
ESTILO
SEM JEITO.
Eu queria ter o
dom da palavra, o gênio de Rui e o estro de um Castro Alves, para descrever o
que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever, porque nem todas as
pessoas que têm sentimentos são capazes de expressá-los. Mas eu gostaria de
deixar, ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti. Não sei se cabe
aqui a palavra sensibilidade. Provavelmente não. Talvez seja uma tragédia. Não
sei escrever, mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que aconteceu.
Triste, muito triste. Ah, se eu soubesse escrever.
92ª.
ETC.
Evite escrever o
termo “etc”, por ser incompleto, a não ser em casos especiais, para determinadas
sugestões.
93ª.
EUFEMISMO.
É o mesmo que
suavização ou abrandamento. Trata-se do uso de uma expressão menos áspera, rude
e chocante com relação a uma realidade.
Ele deu seu
último suspiro.
Você faltou com a
verdade a um homem.
José desviou recursos
dos cofres públicos.
94ª.
EVITE.
Termos e
expressões supérfluas (desnecessárias), excesso de adjetivos, intercalações
desnecessárias, digressões inúteis (“enche lingüiça”), períodos extensos e
confusos. Tudo isso leva à prolixidade, que deve ser evitada.
95ª.
EXCLAMAÇÃO.
Não exclame a
todo momento. Procure palavras fortes e convincentes.
96ª.
EXEMPLOS.
Evite mau uso de
exemplos, ilustrações, citações.
Aqui, os
aposentados recebem vinte salários mínimos por mês. Dado incorreto, porque, na
verdade, apenas alguns aposentados recebem a referida quantia.
Obedecer uma
ordem cronológica é um maneira de se acertar sempre. Parta do geral para o
particular, do objetivo para o subjetivo, do concreto para o abstrato. Use
figuras de linguagem para que o texto fique interessante. As metáforas também
enriquecem a redação.
97ª.
EXPERIÊNCIA.
Use sua
experiência de vida para produzir textos. Ouse, incorpore personagens,
envolva-se na trama, sinta, julgue, denuncie, critique, manifeste-se, viva o
tema. Evite chavões e clichês.
98ª.
EXPRESSÃO.
Nunca escreva uma
expressão que desconheça, pois os erros de ortografia e acentuação tiram pontos
preciosos de uma redação.
Não exagere no
uso das expressões: a nível de, através de, devido a, face
a, frente a, tendo em vista, etc.
99ª.
EXPRESSÕES GASTAS.
Você pode ter
conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, construir um
texto sem erros. Entretanto, se reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões
gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo, a boa qualidade do texto fica
comprometida.
100ª.
EXPRESSÕES POPULARES.
Não use
expressões populares e cristalizadas pela população, mormente na dissertação,
que é um trabalho muito técnico.
101ª.
EXPRESSÕES VULGARES.
Jamais use
expressões vulgares ou chulas.
102ª.
EXTENSÃO.
Num exame
vestibular, ou numa redação de colégio, o professor corrigirá ou avaliará, em
curto espaço de tempo, centenas de redações. Por este motivo, pede-se que os
candidatos ou alunos escrevam um número limitado de linhas.
Qualquer exagero
representa um fator grandemente desfavorável ao estudante. Mais importante do
que escrever muito é o candidato ou aluno ter tempo para rever a sua redação.
103ª.
FÁBULA.
É uma pequena
história (uma narrativa inverossímil), com fundo didático, que tem como
objetivo transmitir uma lição de moral.
A VIÚVA.
Quando a amiga
lhe apresentou o garotinho lindo dizendo que era seu filho mais novo, ela não
resistiu e exclamou:
— Mas, como, seu
marido não morreu há cinco anos?
— Sim, é verdade
— respondeu a outra, cheia de compreensão, sabedoria e calor que fazem os seres
humanos — mas eu não!
MORAL: NÃO MORRE
A PASSARADA QUANDO MORRE UM PÁSSARO.
104ª.
FANTASIA.
Para criar o tema
de fantasia, dê preferência ao emprego do verbo no pretérito imperfeito.
Fazia tempo que
não se encontravam, mas a memória continuava clara e, a qualquer momento,
haveriam de estar novamente juntos, rememorando o feliz passado.
Era uma tarde de
tempo feio e frio no norte da Virgínia, há muitos anos. A barba do velho estava
coberta de gelo e ele esperava alguém para ajudá-lo a atravessar o rio. A
espera parecia não ter fim.
105ª.
FICÇÃO.
Quando sua
redação for uma ficção, ou quando quiser fazer alusão a determinados tipos, aproveite
os nomes próprios para auxiliar nas sugestões pretendidas.
Sempre se metia
nas questões alheias, tentando encontrar uma solução. Era praticamente um
dom-quixote de saias, tamanha ingenuidade.
Jonathan era um
pequeno mirrado, pardinho, filho da catadora de papel. Mas a mãe lhe escolhera
esse nome elegante, pois adorava assistir na sua TV em preto e branco, o Casal
20, série de sucesso dos anos 80.
106ª.
FIGURAS DE LINGUAGEM.
À procura de
melhor expressar seus sentimentos, emoções e pensamentos, a fim de procurar uma
linguagem que seja mais expressiva, original ou criativa, os trabalhadores da
palavra valem-se de figuras estilísticas.
107ª.
FINALIZAR.
Evite finalizar
sua redação (é o principal defeito), principalmente com as expressões: em
resumo, enfim, finalmente, por fim. Termine-a
naturalmente, sem se utilizar de chavões.
108ª.
FORMA.
Sempre que
possível, ao usar a mesma relação ou idéia num texto, varie a forma de
expressá-la.
Como aperfeiçoar
a forma? Pelo exercício constante e cuidadoso! Exercitar-se quer dizer escrever
e ler bons autores.
Cada estudante
tem sua maneira de escrever. Não possui um sentido definido. Porém, é inegável
que já tem um jeito próprio.
Por forma,
entende-se o desembaraço de expressão, a procura de imagens e comparações, a
busca da palavra apropriada, a utilização, enfim, dos recursos mais eficientes
e belos na transmissão das idéias. Forma é harmonia e sonoridade da frase.
Há palavras que
ninguém emprega. Às vezes uma que outra se escapa e vem luzir-se
desdentadamente, em público, nalguma oração de paraninfo. Pobres velhinhas...
Pobre velhinho!
A guerra sempre
traz destruição e morte. No entanto, depois dessa cruel forma de demonstrar a
superioridade do vencedor, os vencidos levantam a cabeça, enchem-se de um
patriotismo vibrante e se empenham em levantar seu país.
109ª.
FRASES ADEQUADAS.
|
ERRADO |
CERTO |
|
…grande número de mortos… |
…muitos mortos… |
|
Todo mundo gostou. |
Todos gostaram. |
|
…causou desastre na
agricultura. |
…causou prejuízos à
agricultura. |
110ª.
FRASES COMPLETAS.
Escreva as frases
com sentido completo.
|
FRASES COM SENTIDOS
INCOMPLETOS |
|
CORRIJA-AS PARA |
|
|
Chegando lá, fomos para o
apartamento. (Apartamento de quem?). |
|
Chegando lá, fomos para o
apartamento de uma amiga. |
|
|
Fui à capital. (Que
capital?). |
|
Fui a Salvador, ao Rio de
Janeiro, etc. |
|
111ª.
FRASES CURTAS.
Use frases curtas
e inteligentes. Com elas, tropeçará menos nas vírgulas, nos pontos ou nas
reticências. “Uma frase longa”, ensinou Vinícius de Moraes, “não é nada
mais que duas curtas.”
Só em discursos é
que se usam períodos longos.
112ª.
FRASES FRAGMENTADAS.
Evite as frases
fragmentadas, que separam indevidamente o sujeito do predicado.
|
TEXTOS COM FRASES
FRAGMENTADAS |
|
CORRIJA-OS PARA |
|
|
Comi o doce e gostei. |
|
Comi o doce e gostei dele. |
|
|
Disse que faria e fez. |
|
Disse que faria o serviço
e realizou-o a contento. |
|
|
Tentei convencê-lo. Ele
estava com a razão. |
|
Tentei convencê-lo de que
estava certo. |
|
|
Entrou em pânico. O elevador
trancara. Havia faltado luz. |
|
Entrou em pânico porque o
elevador trancara com a falta de luz. |
|
|
O Amazonas possui recursos
inesgotáveis. O maior estado do Brasil. |
|
O Amazonas, que é o maior
Estado do Brasil, possui recursos inesgotáveis. |
|
113ª.
FRASES INTRINCADAS E DESCONEXAS.
O estudante deve
ser orientado a escrever com clareza. Não há lugar numa redação para períodos
confusos, de difícil entendimento. Nem para a repetição de palavras, frases,
idéias e períodos demasiadamente longos. São eles os maiores inimigos da
clareza.
114ª.
FRASES REPETIDAS.
Evite usar frases
desnecessárias ou repeti-las.
|
FRASES REPETIDAS |
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CORRIJA-AS PARA |
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Um mundo de sonhos era o
mundo em que ela vivia. |
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Ela vivia num mundo de
sonhos. |
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Depois de todos esses dias
que passei lá, que foram uns dias maravilhosos… |
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Depois de todos esses dias
que passei lá, que me foram maravilhosos… |
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Os policiais, que são
agentes da polícia, entraram no banco armados com armas pesadas. |
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Os policiais entraram no
banco com armas pesadas. |
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115ª.
FRASES. ESTRUTURA.
Erros de
concordância nos tempos verbais, fragmentação da frase, separando sujeito de
predicado, utilização incorreta de verbos no gerúndio e particípio são algumas das
falhas mais comuns nas redações. Esses erros comprometem a estrutura das frases
e prejudicam a compreensão do texto.
116ª.
GENERALIZAR.
Evite empregar os
seguintes vocábulos genéricos: coisa, dar, fazer, ninguém,
nunca, sempre, ser, ter, todo mundo, etc.
Em se tratando de
dissertação, é sempre pecado mortal generalizar conceitos, pois acabam soando
como preconceitos. Idéias muito ampliadas nada significam.
Não generalize.
Seja específico, utilize argumentos concretos, fatos importantes. Uma redação
cheia de generalizações demonstra falta de cultura e de conhecimentos gerais de
seu autor. Uma maneira prática para solucionar o problema é a leitura de
qualquer gênero, como jornais, revistas e livros. Assista a programas de
reportagens, a filmes, a documentários. Interesse-se pela cultura. Alimente sua
inteligência.
GENERALIZAÇÕES
QUE PECAM PELA IMPRECISÃO:
As crianças são
inocentes.
Os homens batem
nas mulheres com freqüência.
Os homossexuais
são desavergonhados.
Todo político é
ladrão.
Os velhos são sábios.
117ª.
GERÚNDIO.
Evite a
predominância do uso do gerúndio, pois este empobrece o texto. Prefira orações
desenvolvidas ou o verbo na forma finitiva mais conjunção.
Use o verbo no
gerúndio somente quando quiser caracterizar os seres enfatizando suas ações.
118ª.
GÍRIA.
As gírias são um
meio de expressão perfeitamente aceitável em certos momentos de textos
narrativos, em especial nos diálogos travados por alguns personagens.
Tornam-se, entretanto, completamente inadequadas quando usadas em uma dissertação.
Jamais use gírias
ou qualquer outra variação lingüística que limite o entendimento do texto.
Somente use
gírias se o assunto e suas personagens exigirem na situação apresentada. Com
isso, poderá aumentar o realismo da narração.
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FRASES COM GÍRIAS |
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PREFIRA |
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O marmanjo bolou um jeito
maneiro de se pirulitar. |
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O homem criou uma forma
inteligente de fugir da situação. |
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O cara deve procurar sacar
se a lei está com ele ou não. |
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O cidadão deve procurar certificar-se
de que está agindo dentro da lei. |
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Fiquei gamado naquele
broto porque ela é bacana pra chuchu. |
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Fiquei apaixonado por
aquela garota, porque ela é muito simpática e atraente. |
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O deputado pisou na bola e
deu a maior bandeira no seu depoimento. |
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O deputado cometeu um erro
e acabou se comprometendo no seu depoimento. |
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119ª.
GRAFIA.
Prefira as
palavras de grafias fáceis (mais fáceis de serem escritas). Lembre-se de que a língua
portuguesa é muito rica em sinônimos.
Tome cuidado com
a grafia de palavras que não conheça. Quando tiver dúvidas, consulte o
dicionário. Se não for possível, substitua a palavra por outra cuja grafia você
conheça bem. Portanto, descarte palavras de grafia duvidosa.
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EM VEZ DE |
PREFIRA |
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Escassa |
Rara |
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Neném |
Criança |
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Sucinto |
Breve |
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Exíguo |
Pequeno |
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Expor |
Mostrar |
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Parcimoniosa |
Econômica |
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Submissa |
Obediente |
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Nódoa |
Mancha |
120ª.
GRAMÁTICA.
Nunca, mas nunca mesmo,
entregue o seu trabalho sem uma boa revisão gramatical e ortográfica.
Evite erros
gramaticais primários e básicos. Use só termos que você conhece. Respeite a
gramática e as regras de grafia.
Capriche na parte
gramatical de sua redação, ou seja, não se esqueça de fazer, com toda a clareza
possível, as devidas pontuações e acentuar as palavras que tiverem acento. Não
adianta fazer uma redação espetacular quanto ao conteúdo e estilo mas cometer
dezenas de erros de português.
O primeiro passo
para aceitar a gramática positivamente é imaginá-la como algo dinâmico que
movimenta a nossa linguagem e cria nossa identidade cultural. Tenha sempre ao
alcance um livro de gramática, acompanhado de um dicionário.
Uma pessoa que
redige bem tem mais clareza de suas idéias e mais segurança em suas afirmações.
As falhas gramaticais podem ser um entrave para isso.
121ª.
GROSSERIA.
“Ele deu um
pum fedido pacas. Foi aquele auê!”
Gostou dessa
frase ridícula? O examinador iria aprová-la? Com certeza que não! Cuidado para não
entrar na linguagem do “liberou geral”, do vale-tudo! É um território muito
perigoso. Deixe a “franqueza” vocabular de lado e evite grosserias na sua
redação. Não é só você que tem mãe, irmã, etc. Os examinadores também têm e nem
todos são apaixonados pelo “exótico”.
122ª.
HARMONIA.
O aluno deve usar
a musicalidade, o ritmo resultante da adequada escolha das palavras, da
combinação dos sons na oração e do equilíbrio das orações no período. A
linguagem não pode ser áspera, dura. A redação deve ser agradável ao ouvido.
123ª.
HIATO.
É a seqüência
desagradável de vogais ou sílabas idênticas. Evite-o.
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FRASES COM HIATO |
MELHOR |
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Andréia irá ainda hoje ao
oculista. |
Andréia terá consulta com
seu oculista, hoje. |
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Traga a água à aula. |
Queira trazer o recipiente
com água para a sala. |
124ª.
HIPÉRBATO.
É inversão da
ordem natural dos termos ou orações da frase com o fim de lhes dar maior
destaque.
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FRASES COM HIPÉRBATOS |
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ORDEM INVERSA |
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ORDEM NATURAL |
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Na roda do mundo, mãos
dadas aos homens, lá vai o menino… |
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O menino vai lá na roda do
mundo, mãos dadas aos homens... |
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Ouviram do Ipiranga as
margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante... |
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As margens plácidas do Ipiranga
ouviram o brado retumbante de um povo heróico... |
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125ª.
HIPÉRBOLE.
É a figura que
através do exagero procura tornar mais expressiva e emocionante uma idéia.
Ele chorou rios
de lágrimas.
Falei trezentas
vezes para você!
Possuo um mar de sonhos
e aspirações.
126ª.
I (minúsculo).
Coloque o pingo
no “i” com capricho e clareza, redondo, bem visível (mas não uma bolinha) e de
forma centralizada (no lugar certo), nem à esquerda, nem à direita.
127ª.
IDÉIA.
Não exponha idéias vulgares (impropérios, palavrões).
Separe as
diferentes idéias em parágrafos distintos, guardando-lhes a devida conexão.
Elimine idéias
ridículas, infantis, contraditórias, desnecessárias, que não se ajustem ao tema
proposto.
Não inicie uma
redação com uma idéia genial mas que não se relaciona com a segunda parte da
composição.
Evite idéias
artificiais, o nacionalismo piegas e o exagero nas expressões de modéstia,
como:
Futuramente,
quando o Brasil atingir o ápice do desenvolvimento, todas as nações se curvarão
ante a capacidade empreendedora do homem brasileiro. Não entendo muito do
assunto, mas tentarei, apesar dos meus parcos conhecimentos, dissertar sobre o
tema escolhido.
128ª.
IMPRECISÃO.
Evite escrever
e/ou, por ser incompleto e impreciso e, também, porque denota pobreza
vocabular.
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EM VEZ DE |
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ESCREVA |
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O jovem e/ou seu pai
poderiam ir ao banco ver o saldo da conta. |
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O pai poderia ir ao banco
ver o saldo da conta, sozinho ou acompanhado do filho. |
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Poderíamos ir ao clube e/ou
ao teatro, porque o tempo seria suficiente. |
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Poderíamos ir a um dos
dois locais, ou a ambos – ao teatro e ao clube –, pois o tempo seria
suficiente. |
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129ª.
IMPROPRIEDADES SEMÂNTICAS E OUTROS VÍCIOS.
Evite o tal de
“através de”, que é uma expressão largamente utilizada, mas de maneira errada!
Não é, em absoluto, sinônimo de “por intermédio de”.
Consegui aprender
redação através do meu professor.
Caso escreva
isso, o sentido literal é que conseguiu aprender redação atravessando seu
professor de um lado para outro, o que seria uma pena! Substitua, nesse caso, a
expressão por “com o auxílio de”.
130ª.
INADEQUADO.
Hoje, ao receber
alguns presentes no qual completo vinte anos, tenho muitas novidades
para contar.
Eis um exemplo de
uso inadequado do pronome relativo. Provoca falta de coesão, pois não consegue
mostrar a que antecedente ele se refere e, portanto, nada conecta e
produz uma relação absurda.
131ª.
INCOERÊNCIA.
Não faça
afirmações incoerentes, que demonstram faltam de conhecimento e, às vezes, até
ignorância, como:
“Ninguém gosta
de ler...”
Exemplo de
incoerência numa dissertação:
O verdadeiro
amigo não comenta sobre o próprio sucesso quando o outro está deprimido. Para
distraí-lo, conta-lhe sobre seu prestígio profissional, conquistas amorosas e
capacidade de sair-se bem das situações. Isso, com certeza, vai melhorar o
estado de espírito do infeliz.
Exemplo de
incoerência numa narração:
O quarto espelha
as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre e
não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia
sinais disso: raquetes de tênis, prancha de “surf”, equipamento de alpinismo,
“skate”, um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre uma mesinha, as
obras completas de Shakespeare.
132ª.
INFORMATIVO.
Num texto
informativo, não tema usar todos os recursos que possam torná-lo claro, como
numerações, orações explicativas numerosas e parênteses.
Os pesquisadores
realizaram um censo em 2001 e registraram que, das 690 espécies que visitam a
reserva, 200 freqüentam o jardim das borboletas.
Em uma matéria, o
leitor recebe vinte informações diferentes. Dezenove, que ele ignorava, estão
certas. Uma, que ele já conhecia, está errada. A tendência desse leitor é
duvidar da exatidão de todas as vinte.
133ª.
INÍCIO.
Evite iniciar sua
redação com digressões. O início deve ser curto, sem evasivas.
134ª.
INSPIRAÇÃO.
No momento da
criação – inspiração – não iniba o que vem à mente, seja o que for. Portanto,
rascunhe o que for aparecendo. Pode ser que surja algo muito bom em meio às
idéias aparentemente desordenadas.
135ª.
INTERJEIÇÃO, EXCLAMAÇÃO.
Não abuse do uso
das interjeições e exclamações. Tire proveito delas, no entanto, para destacar
as emoções e as explosões de sentimentos das personagens.
Arre!
Precisava gritar desse jeito e assustar todo mundo?
— Dobre a língua!
— gritou vermelha de cólera. — Você é tão arrogante que ninguém mais agüenta a
sua presença.
136ª.
INTERNET.
Na rede mundial de
computadores há dezenas de cursos “on-line” de redação, muitos dos quais de
altíssima qualidade, sendo alguns gratuitos.
137ª.
INTRODUÇÃO.
É o início da
redação e deve conter um resumo, em poucas pinceladas, daquilo que abordaremos
no restante do texto.
A introdução
precisa ser rápida. Evidentemente, nunca terá tamanho igual ao do
desenvolvimento. Numa redação de 20 linhas, por exemplo, não deve exceder
4 ou 5 linhas.
A Introdução
apresenta a idéia que será discutida no desenvolvimento. É nessa parte que se
dá ao leitor uma informação sobre o assunto que será tratado. Deve ser pequena,
porque, se a alongarmos demais, correremos o risco de esgotarmos o assunto no
primeiro parágrafo.
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PROCURE EVITAR, NA INTRODUÇÃO, FRASES COMO: |
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Meu caro leitor,... |
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Bem, atualmente, no mundo
em que vivemos... |
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Não tenho palavras para
exprimir o que sinto, mas... |
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Vou tentar falar sobre o
tema, embora não seja fácil abordar este assunto. |
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Sei que não sou a pessoa mais
indicada para falar sobre esse assunto. Entretanto... |
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Embora sabendo que a minha
opinião é uma gota d’água no oceano, tentarei externá-la. |
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Evite iniciar sua
redação com digressões (o início deve ser curto). Digressão é não ter ordenação
de idéias, é ficar indo e voltando, o que confunde o leitor.
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EXEMPLOS DE DIGRESSÕES |
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Devemos, aqui, propor um
parêntese breve... |
Evite isso, porque
demonstra que a ordem das idéias ainda está confusa. |
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|
Por falar nisso, lembro-me
de uma situação vivida algum tempo atrás... |
Poderia ter sido falado
antes, se tivesse havido planejamento da redação. |
|
|
Antes de falar nisso,
voltemos no tempo,... |
Gera o processo de sair momentaneamente
do tema e pode provocar problemas de entendimento. |
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138ª.
IRONIA.
Quando quiser
criticar determinado acontecimento ou pessoa, de forma humorística,
depreciativa ou sarcástica, e sem apresentar posição às claras para o leitor, use
o expediente da ironia.
Menina, você é um
primor; não arruma nem sua própria cama!
...o velho
começou a ficar com aquela cor de uma bonita tonalidade cadavérica.
Moça linda, bem
tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor.
139ª.
LEGÍVEL.
Considere a
legibilidade do seu texto. Como é sua letra? Como está seu texto no papel? É
fácil de ler?
140ª.
LEITURA.
Quem lê adquire
desenvoltura para criar seu próprio texto.
A leitura
completa o homem, enriquece-o; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe
precisão.
Quando lemos,
nosso cérebro forma uma imagem de cada palavra. É dessa maneira que sabemos
como os vocábulos são escritos.
LER é ampliar
horizontes; armazenar informações; compreender o mundo; comunicar-se melhor;
desenvolver-se; escrever com desenvoltura; relacionar-se melhor com todas as
pessoas.
Leia muito, tudo
o que encontrar pela frente, inclusive revistas informativas e técnicas (Veja,
Isto É, Carta Capital, Superinteressante), jornais (Folha
de São Paulo, O Globo, O Estado de São Paulo, Jornal do
Brasil) e, principalmente, boas obras literárias, como romances, dentro de
seu nível de estudo e de sua faixa etária. O ato de escrever está muito ligado
ao ato de ler.
UM BRADO DE
ALERTA: Quem pouco lê vai se dar muito mal em redação quando for prestar
vestibular!
A leitura
permanente e intensa faz milagre, já que, por meio dela, se aprende muita coisa
sem se perceber, especialmente na parte gramatical relativa à acentuação,
ortografia e pontuação. Se a pessoa nada lê, será inútil decorar uma
infinidade de regras gramaticais.
Uma sugestão bem
intencionada para os que querem crescer: estude para assimilar, fixar, enfim,
aprender. Só assim será capaz de manipular seu conhecimento com criatividade.
Não cultivar a
leitura é um desastre para quem deseja expressar-se bem. Ela é condição
essencial para melhorar a linguagem oral e escrita. Quem lê interioriza as
regras gramaticais básicas e aprende a organizar o pensamento.
Uma boa sugestão
de leitura? A coletânea, atualmente com trinta e um livros, PARA GOSTAR DE
LER. A maioria absoluta dos textos é formada por centenas de crônicas dos
melhores cronistas brasileiros. Serve para toda a família, inclusive para os
filhos em idade escolar a partir dos dez anos. São textos curtos, simples e
deliciosos.
A coleção poderá
ser adquirida por intermédio da homepage da Editora Ática na Internet
(http://www.atica.com.br), onde há, inclusive, informações detalhadas sobre
como encomendá-la.
141ª.
LETRA.
Uma letra muito ilegível
pode até contribuir para a anulação da redação num vestibular.
A letra tem que
ser visível e compreensível para quem lê e pode até mostrar sua personalidade.
Faça a letra com
firmeza, segurança, bem clara e nítida, com tamanho médio, não confundindo o
traçado das maiúsculas com o das minúsculas.
Como é a sua
letra? Uma letra bonita traz inúmeras vantagens. O profissional que apresenta
uma escrita legível e estética agradável sempre tem vantagens sobre o seu
concorrente na hora de procurar emprego.
Para fazer uma
boa redação no vestibular ou nas escolas, não é preciso cursar uma escola de
caligrafia. No entanto, a letra, mesmo sendo feia, deve ser legível. Os
professores se rebelam contra os alunos cujas letras são verdadeiros caracteres
hieroglíficos e podem até dar-lhes notas ruins.
142ª.
LETRAS DE FORMA OU DE IMPRENSA.
Não faça letra de
forma, porque algumas letras de forma minúsculas parecem maiúsculas (como o
“j”, por exemplo), o que poderá prejudicá-lo na correção de sua redação,
tirando-lhe pontos preciosos.
Quem usar letra
de forma, em vestibular ou concurso, poderá ter sua prova anulada ou tirar nota
0 (zero).
A letra de
forma dificulta a distinção entre maiúsculas e minúsculas. Uma boa grafia -
legível e sem floreios - e limpeza são fundamentais. Não se esqueça dos pingos
(e não bolinhas) nos "i".
143ª.
LETRAS FLOREADAS.
Evite fazer
letras floreadas, enfeitadas, com perninhas e rabinhos porque, às
vezes, confundem-se umas com as outras e ficam até deformadas (o “r” minúsculo,
estando floreado, parece “s”), o que dificulta sobremaneira o perfeito
entendimento do que está escrito. O “o”, por exemplo, é redondo e não tem perninha.
Portanto, NÃO
FAÇA:
palavras descendo
morro; última letra do vocábulo com prolongamento exagerado para baixo;
linha ou traços que cortem a palavra; a letra “c” com traços
enrolados sobre ela; palavra com letras separadas; “n” parecido
com “r”; “m” com cara de “n”; “t” se confundindo com “f”; “rr”
parecido com “m” ou vice-versa.
144ª.
LIMPEZA.
Faça a
redação limpa, sem borrões ou garranchos, e bem legível.
A limpeza
contribui muito para deixar a redação bem apresentável.
O que dizer das
redações cheias de borrões e sujeiras? Uma prova limpa, sem rasuras e legível,
causará boa impressão ao professor.
Não risque as
palavras nem faça qualquer tipo de rasura na redação, pois esse tipo de detalhe
deixará uma impressão muito ruim de você.
Procure manter
uma letra razoável, e nada de emporcalhar a folha. É o mínimo que se deve fazer
para que o conteúdo e a qualidade do texto não desapareçam no meio de rabiscos.
145ª.
LINGUAGEM COLOQUIAL.
Evite o uso da
linguagem popular (coloquial) ou extravagante, bem como as que atribuem
referências grandiosas sem que possam ser aceitas ou cientificamente
comprovadas.
146ª.
LINHAS.
Não exceda o
número de linhas pedidas como limites máximos e mínimos. A tolerância máxima é
de aproximadamente cinco linhas aquém ou além dos limites.
147ª.
LONGO.
Evite escrever
palavras ou frases longas.
Construa frases
que tenham, no máximo, três orações.
Períodos
excessivamente longos tornam o estilo monótono e cansativo.
148ª.
MARGENS.
Atente para o
alinhamento das margens e dos parágrafos. Faça margens regulares.
Lembre-se de que a
margem lateral esquerda (do início da linha) deve ser um pouco maior (4 cm) que
a margem lateral direita (do final da linha, 2,5 cm).
149ª.
MEDO DO ERRO.
Muita gente não
gosta de ser corrigida, fica constrangida. Em geral, esse sentimento acaba
provocando uma aversão por escrever. Mas redigir não pode ser causa de sofrimento,
principalmente em função da correção gramatical. Errar faz parte de qualquer
atividade criativa, mas é preciso trabalhar – prestar atenção no que se lê e no
que se escreve, procurar tirar as dúvidas, quando elas aparecem, ou estudar
gramática para valer.
150ª. METÁFORA.
É o emprego de
uma palavra fora de seu sentido normal, por efeito de analogia (comparação
subentendida).
A Amazônia é o
pulmão do mundo.
Esse homem é
perigoso como uma fera!
As chamas
eram centenas de línguas gigantescas.
151ª.
MISTÉRIO.
Use a
interrogação e a negativa quando quiser criar mistério e curiosidade em torno
dos fatos.
Quem seria
aquele homem que nos visitava todas as semanas e que ficava por horas
conversando com meu pai? O que os dois tanto discutiam? Por que nunca podíamos
estar presentes quando ele conversava com meu pai?
Se quiser criar
expectativa e dúvidas, envolva sua personagem em mistério, falando dela sem a
identificar no início da narrativa.
O homem do
capote bateu na porta, foi atendido por meu pai, e passou umas duas horas no
escritório trancado com ele. Voltou à minha casa durante anos e sempre que
chegava meu pai mandava que eu fosse para o quarto. Mamãe ficava na cozinha.
152ª.
MONÓLOGO.
É um tipo de texto
em que alguém expressa sua maneira de ser, seu interior, suas emoções, seu
pensamento. É uma conversa consigo mesmo.
Se não tem
ninguém para conversar e fala sozinho (“com seus próprios botões”) ou com
alguém (ou algo) que não pode responder, está, então, monologando.
Deveria
falar-lhe, dizer-lhe o que sentia por ela? Talvez não pudesse conter as emoções
toda vez que a visse. E então diria a ela tudo o que sempre quisera. Que a
amara desde a primeira vez que a vira, que aguardava ansiosamente o momento em
que a veria de novo. Que não hesitaria em fugir com ela, se essa fosse a
condição para ficarmos juntos. Largaria tudo: casa, emprego, posição social,
amigos...
153ª.
NÃO USE.
Palavras ou frases
ridículas, contraditórias, desnecessárias, que não se ajustem ao tema proposto.
Expressões
vulgares, pobres, como:
Em primeiro lugar, em segundo
lugar, essas mal traçadas linhas, etc.
154ª.
NARRAÇÃO.
É o relato de um
fato, de um acontecimento. Há personagens atuando e um narrador que relata a
ação.
Tente fazer com
que os diálogos escritos, em caso de narração, pareçam uma conversa.
A narração está
vinculada à nossa vida, pois sempre temos algo a
contar. Narrar é relatar fatos e acontecimentos, reais ou
fictícios, vividos por indivíduos, envolvendo ação e movimento.
155ª.
NATURALIDADE.
Seja natural.
Evite o uso de palavras de efeito apenas para impressionar a banca corretora.
Imagine o leitor
à sua frente ou ao telefone conversando com você. Fique à vontade. Espaceje
suas frases com pausas. Sempre que couber, introduza uma pergunta direta.
Confira a seu texto um toque humano. Está redigindo para pessoas. Gente de
carne e osso.
156ª.
NEOLOGISMOS.
O candidato a uma
vaga nas universidades precisa usar a língua portuguesa de maneira adequada e
se utilizar de termos semanticamente precisos e corretos. Jamais escreva uma
palavra cujo sentido real não conhece.
Norma culta não
quer dizer termos sofisticados, mas palavras simples e precisas no contexto da
redação. Preciosismos (palavras complicadas)? Nem pensar!
Portanto, nunca
use os neologismos incultos do tipo “imexível”, “windsurfar”,
“inconstitucionalizável”, etc.
157ª.
NOTÍCIA.
É a expressão de
um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina.
Caracteriza-se por ter uma linguagem clara, impessoal, concisa e adequada ao veículo
que a transmite.
158ª.
NÚMERO.
Escreva o número
por extenso, como: dois, três, oito, quinze, vinte... antes de substantivo
funcionando como adjunto adnominal.
159ª.
O.
Tanto maiúsculo,
quanto minúsculo, têm que ser redondos, fechados, sem “perninha” embaixo.
160ª.
OBJETIVIDADE.
Seja objetivo e
imparcial. Não use de forma exagerada e nem abuse de verbos no
imperativo.
Como 20 (vinte) a
30 (trinta) linhas proporcionam um espaço muito pequeno para você discorrer
sobre qualquer assunto, procure ser objetivo, abordando, somente, os fatos
principais, evitando entrar em detalhes que não interessam muito. Você tem que
expressar o máximo de conteúdo com o menor número de palavras possíveis.
Portanto, não repita idéias nem use palavras demais que só aumentem as linhas
desnecessariamente. Concentre-se no que é realmente indispensável para o texto.
A pesquisa prévia ajuda a selecionar melhor o que se deve usar.
161ª.
OBSCURIDADE.
Significa falta
de clareza, em razão de frases excessivamente longas (prolixas) ou exageradamente
curtas (lacônicas), linguagem rebuscada, má pontuação ou pontuação defeituosa,
impropriedade dos termos.
Tenho uma prima
que trabalha num circo como mágica e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta
com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de lima.
Observe aí a
incapacidade de se organizar sintaticamente o período. Selecionar as frases e
organizar as idéias é imprescindível. Escrever com clareza é de fundamental
importância.
|
EXEMPLO DE TEXTO OBSCURO: |
|
|
A exegese de textos
religiosos não pode prescindir do conhecimento filológico que o diletante não
deve hesitar em considerar como propedêutica para qualquer trabalho
heurístico com textos arcaicos. |
|
|
O MESMO TEXTO, MAS COM
ESTRUTURA MAIS CLARA E DIRETA: |
|
|
Para interpretar textos
religiosos é preciso ter conhecimento da história da evolução das línguas.
Aquele que se inicia nesse estudo deve preparar-se, então, começando pela
análise de textos antigos. |
|
162ª.
ÓBVIO.
Pleonasmo
vicioso. É aquilo que “tá na cara”! Evite escrever, por exemplo: O homem é
um ser que vive. Todo homem é mortal.
|
NUNCA ESCREVA |
|
DEIXE O ÓBVIO DE LADO |
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Viu o que tinha que ver e
saiu. |
|
Viu tudo a que se propôs anteriormente,
em seguida saiu. |
|
|
Machado de Assis é um
grande escritor, pois escreve muito bem. |
|
Machado de Assis é um
grande escritor. |
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O avião é o meio de
transporte mais seguro, pois com ele ocorrem menos acidentes. |
|
O avião é o meio de transporte
mais seguro. |
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163ª.
ONDE.
Não empregue ONDE
como sinônimo de EM QUE, NO QUAL, ou até mesmo DE QUE. O ONDE só
pode ser empregado nessa função quando substitui uma palavra que indica lugar.
164ª.
OPINIÃO PESSOAL.
Não coloque sua opinião
pessoal no texto. Analise um assunto proposto emitindo opiniões gerais. Pode
até se posicionar sobre determinados temas, mas disserte de uma maneira mais
imparcial, ou seja, sem exageros ou manifestações emocionais.
Eu acho que
pessoas que assassinam inocentes criancinhas deveriam ser postas em cadeiras
elétricas.
A Justiça no
Brasil vai de mal a pior. Além dos contraventores usuais, agora também homens
da lei imergem no crime, e a escala desses marginais oficiais já atingiu a
Magistratura. O país precisa de novas e urgentes leis.
165ª.
ORDENAÇÃO.
A falta de
ordenação das idéias é um erro comum e indica, segundo os organizadores
de vestibulares, que o candidato não tem o hábito de escrever. O texto fica sem
encadeamento e, às vezes, incompreensível, partindo de uma idéia para outra sem
critério, sem ligação.
166ª.
ORGANIZAÇÃO.
É avaliada a
capacidade do aluno de organizar os argumentos que fundamentarão a conclusão do
texto.
Seu texto está bem
organizado? Apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão?
Tem frases curtas e claras,
ausência de termos repetidos, seqüência dos fatos e criatividade?
167ª.
ORIGINALIDADE.
Seja o mais
original possível, porque a transcrição de frases implica perda de pontos
preciosos quando da correção da redação.
Ser original não
é criar algo novo para a literatura, é sermos nós mesmos. Escreva à sua
maneira, imprima sua marca pessoal ao SEU estilo, evitando os lugares-comuns e
os chavões.
Como ser original
ao se fazer uma redação? É simples, ouse. Se você se limita a repetir o que
tudo mundo diz, como um papagaio, com medo de errar, provavelmente cairá no
lugar-comum e na mediocridade. Tenha a preocupação de inovar, com coragem. Seja
atrevido. A segurança virá aos poucos e com a satisfação de perceber que fez
algo seu, com seu próprio padrão de qualidade.
O uso excessivo
de certas figuras de linguagem ou de alguns provérbios acarreta o
empobrecimento da redação. Como tudo que existe, as palavras também se
desgastam. É preciso criar novas figuras para expor suas idéias. Escrever que a
namorada é uma flor, ou que filho de peixe, peixinho é, não realça a
redação de ninguém. Use a imaginação para não precisar desses chavões
antigos e pobres.
168ª.
PALAVRAS.
Use as palavras certas nos lugares certos.
Não exagere no
uso de palavras do tipo: problema, coisa, negócio, principalmente,
etc.
Entre duas palavras, escolha, sempre, a mais simples; entre duas
palavras simples, escolha a mais curta.
Quando for revisar sua redação, corte vocábulos desnecessários, use
sinônimos ou, se for o caso, mude a frase.
|
NO LUGAR DE |
ESCREVA |
|
Empreender |
Fazer |
|
Regressar ou retornar |
Voltar |
|
Pleito |
Eleição |
|
Usuário |
Passageiro |
|
Óbito |
Morte |
|
Matrimônio |
Casamento |
169ª.
PALAVRAS ADEQUADAS.
Use palavras que estejam em perfeita concordância com o que está
escrevendo.
|
ERRADO |
|
CERTO |
|
|
O gosto do dinheiro. |
|
O gosto pelo dinheiro. |
|
|
…grande sono, por causa das noites sem dormir. |
|
…muito sono, por causa das noites sem dormir. |
|
|
Tomei banho de piscina. |
|
Tomei banho na piscina. (Pode-se tomar banho de
água, não de piscina). |
|
|
A canoa quase virou e, por isso, tomei um grande choque. |
|
A canoa quase virou e, por isso, tomei um grande susto. Tomar choque é receber uma descarga elétrica. O mais
correto, no caso, é tomar um susto. |
|
170ª.
PALAVRAS CURTAS.
Prefira palavras
curtas e simples. Os vocábulos longos e pomposos criam uma barreira entre leitor
e autor. Fuja deles. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta.
Entre duas curtas, a mais expressiva. Casa, residência ou domicílio? Casa, é
claro!
171ª.
PALAVRAS ESTRANGEIRAS.
Evite usar
palavras estrangeiras. Quando empregá-las, coloque-as entre aspas.
172ª.
PALAVRAS OU EXPRESSÕES GASTAS.
Evite escrever
palavras ou expressões que, depois de entrarem na moda, tornam-se gastas, como:
desmistificar, contexto,
sofisticado, inacreditável, principalmente, devido a,
através de, em nível de, tendo em vista, etc.
...é aos dezoito
anos que se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as perspectivas
que nos acompanharão para sempre na estrada da vida.
Não se utilize de expressões parecidas com as grifadas no texto, porque
são consideradas gastas e vulgarizadas pelo uso contínuo e irão
comprometer a boa qualidade do texto.
173ª.
PALAVRAS REPETIDAS.
Evite as repetições de palavras. Troque-as por sinônimos. Se já usou
linda, por exemplo, use bela (ou bonita), a depender da ênfase que queira dar à
frase. Após ter usado professor, use educador ou docente. Para não repetir o
adjetivo doente, use enfermo.
Portanto, nunca repita várias vezes a mesma palavra. Um dos erros que
mais prejudica a expressão adequada de suas idéias é a insistente repetição de
um mesmo vocábulo. Isso causa uma impressão desagradável a quem lê ou corrige
sua redação, além de sugerir pobreza de vocabulário.
|
FRASE COM PALAVAS REPETIDAS |
MELHOR |
|
Ela estava que era uma vaidade só, exibia seus vaidosos colares,
sua vaidosa fala, seu vaidoso jeito de andar. |
Ela estava muito vaidosa aquele dia, exibia colares
caros, fala pedante, andava com pompa. |
174ª.
PARÁGRAFOS.
Use parágrafos diferentes para idéias (assuntos) diferentes. Uma redação
sobre o carnaval atual, por exemplo, você poderá subdividi-la em três
parágrafos, a saber:
|
PRIMEIRO PARÁGRAFO |
|
Carnaval de clube, mencionando a grande beleza na sua
decoração, a presença de dois conjuntos tocando, quando for o caso, para que o
folião pule o tempo todo, sem parar, com mais conforto, pelo fato de o
ambiente ser fechado, etc. |
|
SEGUNDO PARÁGRAFO |
|
Carnaval de rua, dando especial destaque ao desfile dos
blocos, das escolas de samba e aos trios elétricos. |
|
TERCEIRO PARÁGRAFO |
|
Conclusão, citando a ressaca (o cansaço), o dinheiro
gasto, as noites sem dormir, etc. |
O texto deve ter parágrafos bem distribuídos, articulados e
interligados um ao outro coerentemente.
Não construa parágrafos longos, constituídos de um só período composto,
recheado de orações e de relações sintáticas.
Não faça parágrafos muito curtos nem muito longos. O ideal seria que
contivessem, no mínimo, 4 linhas e, no máximo, 7 linhas.
Não deixe parágrafos soltos. Faça uma ligação entre eles, pois a
ausência de elementos coesivos entre orações, períodos e parágrafos é erro
grave.
Obedeça ao parágrafo ao iniciar a redação, isto é, não comece a
escrever logo no início da linha. O parágrafo é marcado por um ligeiro
afastamento com relação à margem esquerda da folha (três centímetros
aproximadamente). E sempre que houver outros parágrafos no decorrer da redação,
siga o alinhamento do parágrafo inicial.
175ª.
PARÊNTESES, TRAVESSÃO DUPLO.
Sempre que quiser fazer dentro da narração ou da descrição, um
comentário à parte, empregue os parênteses ou o travessão duplo.
176ª.
PARÓDIA.
É a imitação engraçada ou ridícula de outro texto.
177ª.
PERÍFRASE OU AUTONOMÁSIA.
É uma expressão que
designa um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um
fato que o celebrizou.
Visitou a cidade
do forró.
Pelé, o Rei do
Futebol, fez muitíssimo pelo esporte.
O Príncipe dos
Poetas também teve outras atividades que o tornaram famoso.
178ª.
PERÍODO.
Construa
períodos com duas ou três linhas no máximo.
179ª.
PINGO.
Não faça
“carnaval” na redação. Para levar a escrita a sério e responsavelmente, coloque
pingo (e não bolinha) sobre o "i" e o "j" minúsculos.
180ª.
PLANEJAMENTO.
Toda redação tem: Introdução (princípio), desenvolvimento (meio) e
conclusão (fim).
O planejamento do
texto que escreve não deve ser visto como algo contra sua liberdade de
expressão, mas como um guia para aumentar suas chances de sucesso.
Planeje o texto.
Delimite o tema, defina o objetivo, selecione as idéias capazes de sustentar
sua tese. Depois, faça um plano com o assunto geral do texto, o aspecto do tema
que vai ser tratado, aonde quer chegar e, finalmente, os argumentos,
exemplos, comparações, confrontos e tudo que ajudar na sustentação do ponto de
vista que quer defender.
181ª.
PLANO.
Faça sempre, antes de escrever, um plano escrito de sua redação, para
orientar-se e observar melhor a seqüência das idéias apresentadas.
182ª.
PLEONASMO OU REDUNDÂNCIA.
É a repetição desnecessária de palavras, expressões ou idéias.
|
FRASES COM PLEONASMOS |
CORRIJA-AS PARA |
|
Subir para cima |
Subir |
|
Entrar para dentro |
Entrar |
|
Voltar para trás |
Voltar |
|
A brisa matinal da manhã enchia-o de alegria. |
A brisa matinal enchia-o de alegria. |
|
Ele teve uma hemorragia de sangue. |
Ele teve uma hemorragia. |
No entanto, pode ser usado como figura de construção, com função
estilística, para enfatizar uma idéia e tornar a mensagem mais expressiva.
A mim, ensinou-me
tudo.
A música exige
ouvidos de ouvir!
As flores, dou-as a você, com carinho.
183ª.
PLURAL.
Cuidado
com a formação do plural de algumas palavras, sobretudo as compostas —
primeiro-ministro, abaixo-assinado, luso-brasileiro, etc.
184ª.
POLISSEMIA.
Tire proveito da polissemia das palavras, para criar situações de
mal-entendidos e de humor.
Os políticos fazem na vida pública o que os outros fazem na
privada.
A máquina de ferro resfolegava à distância, seu apito
chegando até os passageiros que esperavam pelo embarque. Quando o trem parou, a
movimentação tomou conta da plataforma da estação.
185ª.
POLISSÍNDETO.
É a repetição de conjunções para conseguir determinado efeito na frase.
Use-o nas enumerações para sugerir o excesso e a reação da personagem ou do
narrador a esse exagero.
|
FRASES COM POLISSÍNDETOS |
|
Mão gentil, mas cruel, mas traiçoeira. |
|
Falei, e falei, e pedi, e supliquei, tudo em vão. |
|
Foi então que chorei e chorei até que ele me ouvisse. |
186ª.
PONTO.
Depois de ponto usa-se, sempre, inicial maiúscula.
Evite escrever mais de duas linhas sem um ponto final sequer.
Use-o à vontade. Pontos encurtam frases, dão clareza ao texto e
facilitam a compreensão.
Não há ponto após siglas (LTDA, CIA) ou abreviaturas de metros (m),
horas (h), quilômetros (km), etc.
Ao colocar o ponto, faça-o bem redondo (mas não uma bolota) e bem perto
da última letra da palavra. Qualquer rabisco que ele contiver vai ficar
parecendo uma vírgula, o que é errado.
187ª.
PONTO DE EXCLAMAÇÃO.
Após um ponto de
exclamação (!) a palavra seguinte não precisa começar com letra maiúscula, pois
o ponto de exclamação funciona como vírgula, não significando o fim da frase.
Ah! como Renata
era linda.
188ª.
PONTO E VÍRGULA.
Evite usá-lo, porque só é empregado em casos muito especiais e serve
para marcar uma pausa maior que a vírgula.
Os sem-terra não quiseram resistir; a situação parecia
tensa demais.
Vermelho é o sinal para parar; amarelo, para aguardar;
verde, para seguir adiante.
O voto é obrigatório; os eleitores, portanto, deverão
exercer esse direito com consciência.
189ª.
PONTUAÇÃO.
Uma pontuação
errada pode comprometer toda a assimilação do conteúdo textual.
A pontuação existe para facilitar a leitura do texto. O seu texto está
bem pontuado?
Distribua
harmoniosa e adequadamente as pausas ao longo da frase, pontuando-a
devidamente.
Empregue a pontuação corretamente, pois uma simples vírgula, fora do
lugar adequado, pode mudar profundamente o sentido da frase.
A pontuação deve obedecer às paradas respiratórias e, também, à
entonação que queiramos dar a cada frase. Uma parada breve na respiração
significa a colocação de uma vírgula, enquanto uma respiração longa pedirá a
colocação de um ponto na frase.
|
EXEMPLOS DE TEXTOS CONFUSOS, POR FALTA DE PONTUAÇÃO |
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CORRIJA-OS PARA |
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Maria toma banho e sua mãe diz ela traga-me uma toalha. |
|
Maria toma banho e sua; mãe, diz ela, traga-me uma toalha. |
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Voar dez mil metros sem beber água uma andorinha só não faz
verão. |
|
Voar dez mil metros sem beber água? Uma andorinha só não
faz: verão! |
|
|
Um lavrador tinha um bezerro e a mãe do lavrador era
também o pai do bezerro. |
|
Um lavrador tinha um bezerro e a mãe. Do lavrador era,
também, o pai do bezerro. |
|
190ª.
POSITIVO.
Coloque as
sentenças na forma positiva. Diga o que é, nunca o que não é. Em vez de
escrever “ele não assiste regularmente às aulas”, escreva “ele falta
com freqüência às aulas”.
191ª.
PRECIOSISMO.
Consiste no uso
de palavras ou expressões antigas (arcaísmos) de construções rebuscadas das
frases.
Baixar a
inflação? Isso é colóquio flácido para acalentar bovino.
Na pretérita
centúria, meu progenitor presenciou o acasalamento do astro-rei com a rainha da
noite.
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FRASES COM PRECIOSISMOS |
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PREFIRA |
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O exame fora deveras difícil. |
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O exame fora realmente difícil. |
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O mancebo deu-me a honra de uma contradança. |
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O rapaz tirou-me para dançar. |
|
|
Destarte, não devemos ser assaz exigentes com os alunos. |
|
Assim, não devemos ser muito exigentes com os alunos. |
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192ª.
PRECISÃO.
Use vocábulos ou
expressões adequadas, ou seja, termos próprios definindo clara e eficientemente
a idéia, para não cair na pobreza de vocabulário. É preciso pesar as palavras e
aprender todo o seu significado, sob pena de usá-las indevidamente na frase.
Certifique-se do
significado correto das palavras que vai utilizar em determinado período e
verifique se existe adequação desse significado com as idéias expostas. A
vulgaridade de termos ou impropriedade de sentido empobrecem bastante o texto.
|
ALGUNS EXEMPLOS DEPLORÁVEIS |
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CORREÇÃO |
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Estou convincente de que... |
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Estou convencido de que... |
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Era um tapete de alta valorização... |
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Era um tapete de alto valor... |
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Urgem campanhas no sentido de exterminar os
analfabetos. |
|
Urgem campanhas no sentido de exterminar o
analfabetismo. |
|
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É impossível conhecer os antepassados dos
candidatos... |
|
É impossível conhecer os antecedentes dos
candidatos... |
|
193ª.
PRECONCEITO.
Não
escreva a palavra “judia” nem outros termos que tenham conotação
preconceituosa.
194ª.
PREGUIÇA.
Lembre-se:
as piores inimigas da redação são a preguiça mental e a falta de leitura.
195ª.
PRIMEIRA PESSOA.
A redação deve ter
o caráter impessoal (3ª pessoa), evitando-se a 1ª pessoa, principalmente
a do singular, salvo em citações.
Não utilize a
primeira pessoa em sua redação, principalmente quando for determinado texto
objetivo. Alguns vestibulares tiram pontos caso a use. Sua opinião deverá ser
dada por um sujeito indeterminado.
Evite expressões
do tipo: “Na minha opinião”, “Ao meu ver”, etc.
Em vez de: “Eu
acho que a privatização deveria acontecer...”, escreva: “A privatização
deveria acontecer...”
196ª.
PRIMEIRO LUGAR.
Não se coloque em primeiro lugar, ao citar-se juntamente com outras
pessoas.
|
ESCREVA, CORRETAMENTE |
|
Roberto, Paula e eu gostamos da festa. |
|
Meu pai e eu somos bons amigos. |
197ª.
PROCURAÇÃO.
Documento que autoriza outra pessoa a tratar de seus negócios. É
obrigatório o reconhecimento de firma.
198ª.
PROLIXO.
Linguagem prolixa é aquela desenvolvida através de termos e expressões
supérfluas, digressões inúteis, excesso de adjetivos, períodos extensos e
emaranhados.
Ser prolixo é ficar “enrolando”, “enchendo lingüiça”, não ir direto ao
assunto.
Antes de mais nada, sem mais delongas, permito-me
apresentar minhas sinceras e respeitosas discordâncias com relação às
proposições que vossa senhoria fez presentes nesse colóquio.
Expressões prolixas: antes de mais nada, muito pelo contrário,
por outro lado, por sua vez.
199ª.
PRONOME.
Cuidado com o emprego ambíguo dos pronomes seu, sua, dele, dela.
Não comece frase com pronome.
|
ERRADO |
CERTO |
|
Me dá |
Dá-me |
|
Me presenteou |
Presenteou-me |
|
Lhe disse isso |
Disse-lhe isso |
Evite usar
pronomes a todo o momento.
|
EM VEZ DE |
PREFIRA |
|
Eu brinquei |
Brinquei |
|
Eu estudei |
Estudei |
|
Eu dormi |
Dormi |
Não empregue pronomes pessoais do caso reto no lugar do pronome
oblíquo. Escreva sempre “julgá-lo”, nunca “julgar ele”.
200ª.
PROSOPOPÉIA.
É a atribuição de
qualidades ou sentimentos humanos a seres irracionais ou inanimados.
A Lua espia-nos
através da vidraça.
A raposa disse
algo que convenceu o corvo.
O tempo passou na
janela e só Carolina não viu.
201ª.
PROVÉRBIO OU DITO POPULAR.
Não utilize provérbios, ditos populares, frases feitas, pois eles empobrecem
a redação. Faz parecer que seu autor não tem criatividade ao lançar mão de
formas já gastas pelo uso freqüente.
Portanto, nada de ficar usando:
A palavra é de prata e o silêncio de ouro.
Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido.
Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade
sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu coração apaziguava as tormentas
e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas carnalmente.
202ª.
QUANTIDADE DE LINHAS.
Não deixe linhas
em branco no corpo do texto.
Não faça menos
nem ultrapasse o máximo de linhas exigido na redação.
Quando for redigir alguns temas, para efeito de treinamento, escreva 15
(quinze) linhas no mínimo a 30 (trinta) linhas no máximo, pois é assim que são
pedidas as redações em vestibulares e concursos.
203ª.
QUE, DE QUE.
Lembre-se de que os verbos gostar e precisar são transitivos diretos e,
portanto, são sempre precedidos de “de que”.
|
ERRADO |
CERTO |
|
Outra coisa que gostei. |
Outra coisa de que gostei. |
|
O livro que precisava era aquele. |
O livro de que precisava era aquele. |
|
Este é o professor que lhe falei. |
Este é o professor de quem lhe falei. |
204ª.
QUEÍSMO.
É o uso excessivo do “que”, cuja conseqüência é produzir períodos
longos. Evite-o.
|
ERRADO |
|
CERTO |
|
|
Aquele que diz que faz que é forte e que tudo pode é que
teme que se diga dele que é fraco e que nada pode. |
|
Quem diz ser forte e tudo poder teme que se revele sua
fraqueza e impotência. |
|
|
Este é o apartamento que comprei de João, que tinha
outros seis imóveis que estavam todos à venda. |
|
Este é o apartamento que comprei de João, dono também de
outros seis imóveis. Estavam todos à venda. |
|
205ª.
RADICALISMO.
Não afirme o que não
pode provar.
Evite análises
radicais e posições extremistas, injustas e levianas.
Nada como um
texto equilibrado. Posicione-se, mas sem exagero.
Todos os
deputados são corruptos.
A bem da verdade,
nem todos o são, não é mesmo?
Esse tipo de
gente merece ser exterminado.
Radical demais,
não lhe parece? E até grosseiro!
206ª.
RASCUNHO.
Jamais deixe de
fazer o rascunho. Ele é a primeira versão do texto. Os escritores fazem várias
versões de seus livros antes de publicá-los. Não seja você, um iniciante, a
querer dispensá-lo. Nele há a possibilidade de melhorar sua redação, alterar
palavras, construir melhor os períodos, mudar a posição dos parágrafos,
etc.
Para evitar rasuras no texto definitivo, releia o rascunho com muita
atenção. Não tenha preguiça nem pressa em passá-lo a limpo. O sucesso do seu
texto depende, muitas vezes, de uma leitura atenta e cuidadosa do rascunho.
Ao reler o rascunho, você se torna um leitor crítico do próprio texto.
Revise-o com muita atenção: elimine, acrescente, substitua. Questione o seu
texto. Esse trabalho irá, certamente, contribuir para a qualidade de seu texto
definitivo.
207ª.
RASURAS, BORRÕES.
Não use borracha.
Não apresente as questões desarrumadas e riscadas.
Não faça rasuras, marcas, sinais e borrões no corpo da redação.
Em caso de erro na redação já passada a limpo, risque o que estiver
errado e escreva adiante de modo correto.
208ª.
REALIDADE.
A realidade pode
ser reproduzida literalmente ou, a partir dela, pode-se criar uma outra, com
sensibilidade e imaginação.
Dorme a floresta
circundante, sem sussurros de brisas, nem regorjeio de aves. Só o urutau pia
longe, e uma ou outra suindara perpassa. No centro do terreiro, atado a um
poste da canjerana rija, o prisioneiro branco vela.
As lágrimas da
cidade enchiam bueiros que não agüentavam e empurravam para fora toda a sujeira
interior. Os carros parados, na infinita espera de algo que não iria acontecer,
com suas buzinas destoantes do choro de São Paulo.
209ª.
RECIBO.
É um documento
que comprova o recebimento de um pagamento.
210ª.
REDAÇÃO OU COMPOSIÇÃO.
Leia atentamente
o que está sendo solicitado.
As provas de
redação têm maior peso na maioria dos vestibulares.
Planeje o texto
sem utilizar fórmulas prontas. O fio condutor deve ser seu pensamento. Acredite
em seus pontos de vista e defenda-os com convicção. Eles são seu maior trunfo.
Capriche no conteúdo, não se desviando do tema proposto, e não se descuide da
parte gramatical.
Escrever uma
redação é como vender um peixe. Você precisa convencer o cliente da qualidade
do seu produto. O texto escrito não é para você. Será lido e entendido por
outras pessoas. Ninguém vai perder tempo para ler textos confusos e
ininteligíveis. Portanto, capriche na escrita, alinhe os parágrafos, escolha
bem o vocabulário, mostre organização.
Leia e releia
aquilo que escreveu e faça a você mesmo as seguintes perguntas: será que vão
entender minhas idéias? Fui claro em minhas exposições? As orações estão bem
coordenadas entre si? Será que os períodos estão muito longos e cansativos para
quem irá lê-los? Escrevi muito e não disse nada? Houve fuga do tema? Escrevi o
mínimo de linhas exigido pelo vestibular?
211ª.
REDUNDÂNCIA.
Cuidado com as
redundâncias. É errado escrever, por exemplo: “Há cinco anos atrás”.
Corte o “há” ou dispense o “atrás”. O certo é “Há cinco anos...”.
212ª.
REGÊNCIA.
Fique atento à regência de verbos e nomes, sobretudo daqueles que
exigem a preposição “a”, para não cometer erro no emprego da crase.
213ª.
REGÊNCIA VERBAL.
Regência Verbal é um assunto complicado, não acha? Não deveria ser, mas
é. Existem vícios que desvirtuam a correta regência de diversos verbos.
O verbo “desfrutar” é muito empregado com regência errada. Por ser
transitivo direto, não exige preposição antes de seu complemento. No entanto, o
que mais se vê é um “de” insistente acompanhando-o, como na frase: “Eu e meu
amigo desfrutamos das férias num paradisíaco balneário”. Errado! O correto
é: “Eu e meu amigo desfrutamos as férias num paradisíaco balneário”.
214ª.
RELER.
Releia com o máximo de atenção o texto que escreveu, antes de passá-lo
a limpo, para não deixar ficar erros bobos, tolos, que poderão comprometer
seriamente sua nota final.
Lembre-se: é fundamental pensar, planejar, escrever e reler seu texto.
Mesmo com todos os cuidados, pode ser que não consiga se expressar de forma
clara e concisa. A pressa pode atrapalhar. Com calma, verifique se os períodos
não ficaram longos, obscuros. Veja se não repetiu palavras e idéias. À medida
que relê o texto, essas falhas aparecem, inclusive erros de ortografia e
acentuação. Não se apegue ao escrito. Refaça o texto, se for preciso. Não tenha
preguiça, passe tudo a limpo quantas vezes forem necessárias. No computador,
esta tarefa se torna mais fácil. Faça sempre uma cópia do texto original. Assim
se sentirá à vontade para corrigi-lo quantas vezes quiser.
215ª.
RELIGIÃO.
Não faça propaganda de doutrinas religiosas na redação. Mantenha-se
sempre imparcial.
A religião, qualquer que seja ela, é uma questão de fé; a dissertação,
por sua vez, é uma questão de argumentação, que se baseia na lógica. São,
portanto, duas áreas situadas em diferentes planos. Não há como argumentar de
modo convincente com base em dogmas religiosos; os preceitos de fé independem
de provas ou evidências constatáveis. Torna-se, assim, completamente descabido
fundamentar qualquer tema dissertativo em idéias que se situem em um plano que
transcende a razão.
216ª.
REPETIÇÃO.
Evite:
Dizer a mesma coisa duas vezes para explicar melhor.
Pormenores (detalhes), divagações, exemplos excessivos.
Palavras terminadas em “ão”, “ade”, “ente”, etc, pois provocam eco
(rima inconveniente e condenável) na redação.
Repetições de palavras e de idéias, principalmente no mesmo parágrafo.
Troque-as por sinônimos. A repetição de palavras denota falta de cultura, de
conhecimento geral e pobreza de vocabulário, além de certa preguiça mental.
O emprego repetitivo das palavras eu, nós, ele, ela, e, que, porque,
daí, aí, então, mas (esta, por exemplo, pode ser substituída por contudo,
todavia, no entanto).
217ª.
REPORTAGEM.
É uma notícia em
profundidade. Caracteriza-se pela exposição enriquecida e profunda do
fato.
218ª.
REQUERIMENTO.
É um documento
(texto administrativo), manuscrito ou datilografado, no qual o cidadão (interessado),
depois de se identificar e se qualificar, faz um pedido (solicitação) à
autoridade competente. Só é usado quando é pedido ao serviço público. Se traz a
solicitação de várias pessoas, chama-se Memorial.
219ª.
RESUMO.
Num resumo, não
comente as idéias do autor. Registre apenas o que ele escreveu, sem usar
expressões como segundo o autor..., o autor afirmou que....
Resumo é uma
síntese das idéias, fatos e argumentos contidos num texto. Para fazê-lo,
empregue suas próprias palavras, evitando, na medida do possível, reproduzir
cópias do texto original.
Ler não é apenas
passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais importante,
facilitando o trabalho da memória. Saber condensar as idéias expressas em um
texto não é difícil, basta reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor
disse.
220ª.
RETICÊNCIAS.
Nas dissertações
objetivas, evite as reticências. A clareza na exposição é preferível a esperar
que o leitor adivinhe o que você quis dizer.
As reticências
marcam uma interrupção da seqüência lógica do enunciado, com a conseqüente
suspensão da melodia. É utilizada para permitir que o leitor complemente o
pensamento suspenso.
A língua escrita
apresenta muitas diferenças em relação à língua falada. Observe como as
reticências às vezes são utilizadas para criar o clima de mistério: “era
sexta-feira...”
221ª.
REVISÃO.
Revise a redação. Ela tem começo, meio e fim? Defendeu seu ponto de
vista de maneira convincente? Escreveu parágrafos com tópico frasal e
desenvolvimento? Respeitou as normas gramaticais vigentes?
Quando for revisar a redação, redobre os cuidados com a crase e a
concordância. Triplique a atenção com a voz passiva sintética (do tipo
"vendem-se carros") e do sujeito posposto ao verbo.
222ª. RISO.
Tire partido dos dados imprevisíveis e inadequados para conseguir o
interesse do leitor pelo texto (e, muitas vezes, o riso).
— Ah, estou com vontade de passar a noite com a Luiza
Brunet de novo. — O quê? Não me diga que já passou a noite com ela? — Não, mas
já tive vontade antes.
Nem acreditei que aquele rapaz, tão jovem, olhava para mim! Então, ele
gritou: — Tia, o porta-malas está aberto! — Fui para casa, com o porta-malas
aberto e a cara mais fechada do que fundo de touro subindo a ladeira.
223ª.
ROMANTISMO.
Afaste-se do romantismo fácil, mas não se furte à sinceridade da
apresentação de seus sentimentos.
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre
um olho, lhe reconhece, sorri e diz “Vó”, seu coração estala de felicidade,
como pão ao forno.
Os céticos dizem que as mulheres são verdadeiras surpresas,
nem sempre muito agradáveis. Mas, como saber, se não tentar chegar ao fundo dos
nossos sentimentos? E, se amo, tenho de arriscar, concordam comigo?
224ª.
SILEPSE.
É a concordância
com a idéia, não com a palavra escrita.
Vossa Majestade
continua bondoso!
Os brasileiros
somos muito otimistas.
Corria gente de
todos lados, e gritavam.
225ª.
SIMPLICIDADE.
Escreva com suas próprias palavras e produza novas idéias.
Use palavras conhecidas, adequadas e períodos curtos. Escreva com o
máximo de simplicidade. Amarre as frases, organizando as idéias. Cuidado para
não mudar de assunto de repente. Conduza o leitor de maneira leve pela linha da
argumentação.
Alguns estudantes pensam que, utilizando palavras pomposas,
artificiais, difíceis e rebuscadas, conseguirão impressionar os
corretores de provas. Puro engano! Os vocábulos devem ser os mais comuns
possíveis. Portanto, escreva com simplicidade. O uso de termos
complicados não é prova de que você sabe escrever bem.
Neste tempo em que é preciso, ainda que ocasionalmente,
jactar-se do que produzimos intelectualmente, far-nos-á muito bem que tenhamos,
por hora, um projeto desenvolvimentista uniforme capaz de...
Ora, qualquer banca corretora, ao ler o texto acima, vai saber muito
bem tratar-se de um plágio de alguém, ou, então, achar que você é um marciano!
226ª.
SINAIS.
Faça o til e o cedilha com nitidez, e não simples rabiscos ou traços
confusos e inexpressivos.
227ª. SINESTESIA.
É uma espécie de
metáfora que consiste na união de impressões sensoriais diferentes.
Use-a, se puder, para, através de duas sensações, indicar mais
vivamente um objeto ou ser.
Um grito áspero,
palavras douradas, cheiro quente.
O cheiro doce e
verde do capim trazia recordações da fazenda...
A presença
inesperada do sumo pontífice no encontro comoveu a todos. O toque de mão suave,
o semblante sereno, o leve odor de rosas que emanava de sua presença provocou
em todos uma sensação de paz.
228ª.
SOLECISMOS.
Ocorre quando há
desvios de sintaxe quanto à concordância, regência ou colocação.
Obedeça
o chefe.
Quem
fez isso foi eu.
Faltou muitos
alunos no dia do jogo da Seleção do Brasil.
Que fique bem
claro uma coisa: as frases acima estão gramaticalmente incorretas.
229ª.
SUBSTANTIVO, VERBO.
Abuse do uso de
substantivos e verbos. Seja sovina com adjetivos e advérbios. Eles são os
inimigos do estilo enxuto.
Matar ou matar.
De quebra, morrer. No campo de batalha o soldado pouca chances tem de escolhas
diferentes dessas.
A tarde cai. O
céu escurece rapidamente, como convém à estação outonal. O silêncio vai se
instalando na pequena vila onde, a partir de agora, só o luar iluminará as ruas.
230ª.
SUJEITO.
A menos que queira enfatizar muito o sujeito, ou precise evitar
confusão na interpretação sobre quem está falando, omita o pronome sujeito, ou
não abuse de seu emprego.
Ao longe, avistaram um velho abatido vindo ao encontro
deles. Decidiram parar. “Credo! Isso é coisa do demo!”, falou o terceiro se
benzendo. É... e eles tinham razão.
Pedro resolveu omitir seu nome. Na verdade, ninguém
precisaria saber que era filho de empresário famoso; nada lhe
acrescentaria de bom e, ao contrário, poderia tornar-se alvo de bandidos
naquela região perigosa do Rio.
231ª.
SUPERLATIVOS.
Cuidado com “superlativos criativos” do tipo “mesmamente”,
“apenasmente”, etc.
232ª.
SUSPENSE.
Quando quiser criar suspense, acumule dados, ação inesperada, apresente
conseqüências, deixando a causa para o final.
Todos estavam apreensivos, esperando o anúncio do vencedor
do concurso. O mestre-de-cerimômias abre a solenidade com uma longa lista de
agradecimentos. A cada nome, a ovação da platéia interrompe o correr da
solenidade. Começa agora a leitura dos nomes dos vencedores. Juliano está com o
coração na mão. O envelope vai ser aberto. Mas tudo escurece subitamente. Não é
que falta luz no exato momento em que os nomes seriam anunciados! Juliano não
agüenta a ansiedade.
233ª. T
(minúsculo).
Corte-o corretamente, sem floreio, mais ou menos no meio, totalmente, e
não um traço qualquer, em cima.
234ª.
TAMANHO DA FOLHA.
Use, para treinamento, folha de papel almaço (pautado) ou, então, folha
de caderno escolar para 10 (dez) matérias (o maior), espiral.
235ª.
TAMANHO DAS LETRAS.
Escreva com letras médias (nem muito grandes, nem muito pequenas).
Letras muito pequenas vão dificultar a correção do texto e letras muito grandes
vão proporcionar poucas palavras em cada linha e, conseqüentemente, uma
abordagem superficial do assunto.
236ª.
TELEGRAMA.
É utilizado para comunicação urgente. Deve-se suprimir do pequeno texto
qualquer palavra dispensável, como artigos, preposições, conjunções e sinais de
pontuação. Ponto será grafado com PT e vírgula com VG.
237ª. TEMA.
Leia o tema que
vai desenvolver com atenção, analisando com profundidade as idéias nele
contidas.
Fácil ou difícil, agradável ou não, o tema terá que ser enfrentado. A
melhor atitude será recebê-lo com simpatia, disposição e otimismo.
Redija usando argumentos fortes e consistentes. O floreio e o enche
lingüiça nada acrescentam à qualidade do texto de uma redação.
O tema é o assunto sobre o qual se escreve, ou seja, a idéia que será
defendida ao longo da dissertação. Deve tê-lo como um elemento abstrato. Nunca
se refira a ele como parte do texto.
Não fuja do tema
proposto, nem invente títulos, escolhendo outro argumento com o qual tenha
maior afinidade. O distanciamento do assunto pode custar pontos importantes na
avaliação da redação.
Não fugir do tema significa abordá-lo da maneira como foi proposto,
isto é, nem restringindo demais a abordagem nem extrapolando para assuntos que
não tenham relação direta com ele.
Se o seu objetivo é ser favorável à privatização das estradas, use
argumentos sólidos que justifiquem o porquê de sua posição. Tente convencer o
leitor e mantenha clara a sua opção.
Se o tema for “O clima do Brasil”, não adiantará fazer uma obra-prima
versando sobre “O clima de Minas Gerais”, porquanto o seu trabalho resultará
inútil. Os corretores vão considerar que houve fuga ao tema proposto. Sabe qual
a nota que terá nesse caso? ZERO!
Quais os temas que podem cair nas provas de Redação? A tendência das
bancas examinadoras tem sido solicitar dois tipos de temas: objetivos, os
relacionados aos problemas atuais, presentes na mídia (sociais, tecnológicos,
econômicos, etc.); subjetivos, os que envolvem o comportamento e o
sentimento das pessoas.
238ª.
TEMPO.
Não acelere o ritmo para acabar logo a redação nem demore demais para
não perder tempo.
239ª. TEMPOS
VERBAIS.
Procure tirar proveito da mudança dos tempos verbais, usando-os, por
exemplo, para fazer generalizações.
O larápio
não deixou de roubar após ter passado um bom tempo na prisão. Ora, por esse
caso podemos ver que nem sempre a prisão recupera os criminosos.
240ª.
TEORIA.
Se
precisar provar a alguém, ou a você mesmo, uma teoria, use o raciocínio lógico
e, se for o caso, hipotético.
Democracia
verdadeira não existe sem educação. O indivíduo sem estudo é presa fácil do
engodo, da retórica vazia, das promessas irrealizáveis. Imagine alguém que mal
sabe escrever o nome ouvindo o discurso embolado de um de nossos políticos.
Poderá julgar com clareza o que estão lhe dizendo, avaliando a proposta que
melhor satisfaz aos seus interesses?
241ª. TERCEIROS.
Não
utilize exemplos contando fatos ocorridos com terceiros, que não sejam de
domínio público.
242ª.
TEXTO.
O fato
que contou, em seu texto, é interessante? Gostaria de ouvi-lo de outra pessoa?
Tenha sempre senso crítico.
Não utilize os
termos “eu acho”, “penso”, “para mim”, etc. O texto já é
sua opinião pessoal, não precisa enfatizar, ser repetitivo. Em vez de escrever
“Eu acho a internet legal”, escreva: “A internet é legal”.
Não use
expressões como “vou ir” e “de leve”, mas, sim, “irei” e “levemente”.
243ª.
TÍTULO.
Evite o
uso das aspas no título.
Pule uma
ou duas linhas entre o título e o início do texto.
Evite
iniciar a redação com as mesmas palavras do título.
Os
títulos devem ser escritos de forma abreviada (resumida).
Não há
pontuação após o título, a não ser que seja frase ou citação.
Coloque o
título centralizado (no centro da folha), antes do início da redação.
É uma
expressão, geralmente curta e sem verbo, colocada antes da dissertação.
Em
títulos de redação, por questão de ênfase, usam-se iniciais maiúsculas:
Minhas
Férias de Julho, Nossa Visita ao Frisuba.
Não
coloque a palavra título antes do TÍTULO nem o termo FIM ao terminar a redação.
O óbvio não precisa ser explicado.
244ª.
“TRANSPIRAÇÃO”.
É a hora da
montagem do texto, a escolha do que deve ficar e do que deve sair.
Após a seleção
das idéias que serão usadas, ordene as frases, percebendo a diferença entre o
principal e o secundário, hierarquizando a seqüência de parágrafos de
modo a tornar claro o seu texto.
245ª.
TRAVESSÃO.
Na redação, o
travessão tem a função dos parênteses ou das vírgulas usadas em dupla, sendo
empregado para separar expressões intercaladas.
Pelé — o maior
jogador de futebol de todos os tempos — hoje é um empresário bem-sucedido.
A sociedade precisa
lutar por conquistas sociais - tão prometidas pelos governos, mas nunca
concretizadas - a fim de ver reduzidas as diferenças entre pobres e ricos.
246ª.
TREMA.
Cuidado! O trema
não caiu. Muitas pessoas escrevem textos e “esquecem” de usá-lo. É muito comum,
nos jornais diários, encontrar-se palavras como tranqüilo, seqüestro,
seqüência, agüentar, argüição, lingüiça, entre
outras, sem o coitado do trema.
247ª. U, V.
Faça-os
com clareza e nitidez porque, caso contrário, o U ficará parecendo o V.
248ª. ÚLTIMO.
Evite
escrever “último”, no sentido de “mais recente”.
249ª.
UNIDADE
A redação
deve ter unidade, por mais longa que seja. Trace uma linha coerente do começo
ao final do texto. Não pode perder de vista essa trajetória. Muita atenção no
que escreve para não fugir do assunto.
250ª.
VERBO.
Evite o
emprego de verbos auxiliares.
Faça a
concordância correta dos tempos verbais.
Evite o
uso de verbos genéricos, como “dar”, “fazer”, “ser” e “ter”.
Flexione
corretamente os verbos quando for usar o gerúndio ou o particípio.
O verbo “fazer”,
no sentido de tempo, não é usado no plural. É errado escrever: “Fazem alguns
anos que não leio um livro”. O certo é: “Faz alguns anos que não
leio um livro”.
Os verbos
defectivos não possuem todas as pessoas conjugadas. O presente indicativo do
verbo “adequar” só apresenta as formas de primeira e segunda pessoas do
plural (adequamos, adequais). As outras simplesmente não existem, não adianta
inventar. Logo, nada de sair por aí dizendo (ou escrevendo) coisas como: “Eles
não se adequam ao meu sistema de trabalho” ou: “Eu não me adequo ao seu
modo de pensar”. No caso, use o verbo equivalente: “adaptar”.
251ª.
VÍRGULA.
Vêm,
geralmente, entre vírgulas: isto é, ou seja, a saber, etc.
Coloque-a
bem próxima da última letra da palavra (e não distante).
Leia os
bons autores e faça como eles: trate a vírgula com bons modos e carinho.
Nunca
coloque vírgula entre o sujeito e o verbo, nem entre o verbo e o seu
complemento.
Só com a
leitura intensiva se aprende a usar vírgulas corretamente. As regras sobre o
assunto são insuficientes.
É o sinal
de pontuação mais importante e que tem maior variedade de uso. Por essa razão,
é o que também oferece mais oportunidade de erro.
Coloque a
vírgula com clareza, a saber, um pontinho com uma perninha levemente
voltada para a esquerda, e não um tracinho ou um risquinho qualquer.
As
vírgulas, quando bem empregadas, contribuem para dar clareza, precisão e
elegância às frases. Em excesso, provocam confusão e cansaço. Frase cheia de
vírgulas está pedindo um ponto.
252ª.
VOCABULÁRIO SIMPLES.
Algo
fantástico para enriquecer o seu vocabulário? Palavras cruzadas.
A
limitação do vocabulário não impede um raciocínio inteligente e incisivo.
Use uma
linguagem simples, empregando, somente, as palavras cujo sentido você conhece
bem. Não fique inventando, querendo usar vocábulos difíceis, cujos significados
nada têm a ver com o que está escrevendo.
253ª. VOZ ALTA.
Após
fazer uma redação, leia o texto em voz alta, várias vezes. É uma boa técnica
para descobrir seus erros.
254ª.
VOZ ATIVA.
Opte pela voz
ativa. Ela deixa o texto esperto, vigoroso e conciso. A passiva, ao contrário,
deixa-o desmaiado, flácido, sem graça. Em vez de: A redação foi feita pelos
alunos da 4ª série, prefira: Os alunos da 4ª série fizeram a redação.
255ª. VOZ
PASSIVA.
Use a voz
passiva quando quiser realçar o paciente da ação, transformando-o em sujeito
(embora não aja).
A
porta foi aberta com violência.
256ª.
VULGAR.
Não seja vulgar
nem use termos considerados chulos e obscenos (palavrões). Gírias e expressões
populares, só entre aspas. Os assuntos devem ser trabalhados com certa
distinção e delicadeza.
257ª.
ZEUGMA.
É a omissão de um
termo anteriormente expresso, ainda que em flexão diferente.
Eu jogo futebol;
ela, basquete.
Foi saqueada a
vila, e assassinados os partidários de Sadan.